Até os 40 anos, vivi pela madrugada e resistindo a tudo, menos às tentações
Jornalista e escritor, autor das biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues, é membro da Academia Brasileira de Letras
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Segundo Groucho Marx, a velhice não é grande coisa. Basta viver para chegar até lá
Até os 40 anos, vivi pela madrugada, pulando janelas e resistindo a tudo, menos às tentações
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Em 2002, aos 77 anos, meu sogro, Delio Seixas, fã de futebol e torcedor do Fluminense, perguntou-se a quantas Copas do Mundo ainda assistiria depois daquela que estava para começar no Japão/Coreia do Sul. Afinal, já era um recordista no gênero. Pelo rádio ou pela TV, acompanhara todas de 1938 em diante (a de 1950, ao vivo, no Maracanã), o que significava, até então, 14 Copas no seu cartel. Modesto, calculou que, no tempo que lhe restava, seriam talvez mais duas. Mas Delio subestimou-se: viveria até os 97 anos, maravilhosamente saudável e lúcido, com o que torceu pelo Brasil em mais seis Copas, até a de 2022.
Bem, despedindo-me nesta quinta-feira (26) dos meus próprios 77 anos, não tenho ideia de quantas Copas me restam nem isso me altera o sono —as de 1958 e 1970 já terão sido suficientes. Só sei que não atingirei a marca de Delio. Alto funcionário do Banco Central, ele nunca fumou ou bebeu e levou a vida fazendo esporte, dormindo cedo e comendo salada. Eu, ao contrário, até os 40 anos vivia pela madrugada, pulando janelas, cercado de más companhias e resistindo a tudo, menos às tentações. Depois regenerei-me e me tornei um cidadão exemplar, ou quase. Mas nunca se sabe quanto, um dia, nos custarão os prazeres.
Como dizia Groucho Marx, a velhice não é uma grande coisa —basta viver para chegar até lá. Mas alguns parecem querer se antecipar a ela. Tom Jobim, que morreu tão cedo, aos 67 anos, já se sentia velho muito antes. Certa vez, na rua, alguém lhe perguntou: "Hei, Tom, o que você está compondo?". E ele: "Não estou compondo. Estou decompondo!". E Nelson Rodrigues, que também morreu com inacreditáveis 68, escreveu várias vezes: "Eu sou uma múmia, com todos os achaques das múmias".
Nelson e Tom eram de uma geração em que os 50 anos já pareciam levar à reta final. Hoje, com essa idade, o cidadão ainda não chegou nem à primeira curva. Segundo meu médico, os 78 anos de agora são os 55 de até outro dia.
Ótimo. Outra grande vantagem dos 78 é que ainda falta um ano para os 79.
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