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Depois da 'enshitificação' dos apps, vem a 'slopificação do entretenimento'

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03.09.2026

Depois da 'enshitificação' dos apps, vem a 'slopificação do entretenimento'

Você abre seu aplicativo de vídeos favorito — pode ser um serviço de streaming por assinatura ou uma plataforma gratuita de conteúdo curto e vertical. Em poucos instantes, é bombardeado por um volume sem igual de histórias daquele personagem do qual você é fã ou ambientadas naquele universo que você adora. Há sempre mais um para assistir. Tudo oficial.

Só que boa parte daquilo foi gerada por inteligência artificial. É conteúdo barato, produzido em escala e, apesar de parecer feito para você, soa raso, repetitivo, mais do mesmo.

Em breve, isso pode se tornar corriqueiro. É o que chamo de "slopificação do entretenimento".

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Para entender esse cenário, é necessário dar dois passos para trás. Tudo começa com a "enshitificação" (no original, "enshittification", ou "embostificação" em tradução livre) dos serviços online. O termo foi formulado pelo escritor Cory Doctorow em 2022 e descreve o processo pelo qual plataformas digitais vão piorando à medida que crescem: primeiro oferecem boas condições para atrair usuários; depois, passam a explorar essa base em favor de parceiros comerciais; por fim, quando todos já dependem delas, espremem os dois lados para capturar cada vez mais valor para si.

Um exemplo é o app de transporte urbano que chega oferecendo preços mais baixos que os dos táxis, carros limpos e novos, água para os passageiros e uma série de comodidades. Depois de fidelizar clientes e abalar os serviços que já existiam, sobe os preços, piora a remuneração dos motoristas e amplia as formas de extrair receita.

Outro é o streaming de vídeo que é lançado com uma enorme biblioteca de conteúdos e grandes investimentos em produções originais que se tornam sucesso de crítica e público. Com o tempo, aumenta preços, adiciona anúncios à experiência e reduz o número ou a qualidade dos títulos........

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