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Invasão de camarão-gigante ameaça ecossistema e pesca no litoral

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16.05.2026

Invasão de camarão-gigante ameaça ecossistema e pesca no litoral

A presença sorrateira e cada vez mais persistente de uma espécie exótica nos ecossistemas costeiros do Brasil vem acendendo inúmeros alertas cientistas, pescadores e gestores ambientais: trata-se do camarão-gigante-da-malásia (Macrobrachium rosenbergii).

Introduzido no país no final do século 20 para abastecer o crescente setor de aquicultura, o animal não se limita mais à criação em cativeiro. Com o tempo, a espécie se estabeleceu em ambientes naturais sensíveis, incluindo áreas protegidas.

Um estudo realizado por pesquisadores do Brasil e do Uruguai, publicado em fevereiro, revelou a dimensão do problema e esmiuçou os riscos ecológicos e ambientais associados à "invasão" do camarão-gigante — aspectos negativos que, segundo os especialistas, podem se intensificar nos próximos anos.

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Liderada pelo oceanógrafo Edison Barbieri, diretor do Núcleo Regional de Pesquisa do Litoral Sul, do Instituto de Pesca de São Paulo, a pesquisa foi motivada pela preocupação de cientistas com as invasões biológicas em ecossistemas estuarinos. Esses sistemas, que também incluem os manguezais, estão localizados em áreas de transição entre rios e o oceano e são amplamente reconhecidos por sua biodiversidade.

As zonas estuarinas servem como berçários para inúmeras espécies aquáticas, incluindo peixes e crustáceos cuja importância ecológica se soma ao seu potencial econômico. Ao mesmo tempo, esses ambientes transicionais delicados são suscetíveis à introdução de espécies exóticas, que passam a competir com a fauna nativa por diferentes recursos.

Barbieri afirmou que a pesquisa — conduzida entre 2015 e 2025 — partiu de uma constatação: ainda que o camarão intruso tivesse sido registrado em diferentes regiões do Brasil, não havia monitoramento sistemático em áreas de conservação. "A introdução acidental ou intencional de espécies por meio da aquicultura já havia sido observada, mas não sabíamos até que ponto isso afetava as unidades de conservação costeiras", disse.

O trabalho reuniu uma equipe multidisciplinar e combinou diferentes metodologias para mapear a ocorrência da espécie, avaliar sua distribuição e, principalmente, identificar seu potencial de impacto na fauna nativa. "Para isso, utilizamos quatro........

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