'X9' da Faria Lima: quem é o investidor que peita Master, Tanure e mercado
'X9' da Faria Lima: quem é o investidor que peita Master, Tanure e mercado
A nova tatuagem do gestor financeiro Vladimir Timerman, 46, já está escolhida.
Se vencer a ferrenha disputa judicial que vem travando há anos contra o investidor bilionário Nelson Tanure, o desenho de um Arcanjo Miguel derrotando o dragão poderá dividir espaço com Ares e Atenas na pele de Timerman, da Esh Capital.
Ele é o que se chama no mercado de gestor ativista. Sua tese de investimentos é adquirir participações minoritárias em empresas que considera mal geridas para tentar influir no futuro do negócio, lucrando com a valorização das ações.
Nos últimos oito anos, Timerman atuou como uma espécie de "X9 do bem", denunciando toda sorte de irregularidades no mercado de capitais, comprando briga com gente poderosa —e frequentemente ultrapassando limites no trato com os adversários, acusados de "vagabundos" e "bandidos" no tribunal das redes sociais, antes de qualquer condenação formal.
O histórico de disputas com pesos-pesados das finanças, como Tanure, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e também com integrantes da burocracia estatal responsável pela vigilância do sistema financeiro do país, o transformou em uma espécie de "elemento radioativo" na Faria Lima, centro financeiro do Brasil.
As deusas gregas da guerra tatuadas —uma representando a força bruta e a outra, sabedoria e estratégia— são as marcas de um outro embate travado pelo gestor em defesa dos acionistas minoritários da Smiles, que levou a Gol a desembolsar R$ 270 milhões a mais em favor de pequenos investidores na operação de retirada da Bolsa de Valores das ações da companhia (operação conhecida como deslistagem).
Em seus confrontos com os poderosos, Timerman bateu, levou e quase esmoreceu.
Desde o final do ano passado, contudo, seus ânimos foram renovados com a deflagração do escândalo do Banco Master, com a prisão de Vorcaro e após Tanure ter virado réu em uma ação de "insider trading" —temas das denúncias que o gestor vinha fazendo há anos para a Polícia Federal, Ministério Público, CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e Banco Central.
"A Gafisa (construtora ligada a Tanure) financiou o início do Master para fazer rolos com precatórios de usinas de álcool falidas. O Master inflava os fundos para aumentar o patrimônio e poder captar mais CDBs.
Em 2023, o Master tinha R$ 8 bilhões de CDB apenas. Se a CVM tivesse feito o trabalho dela, eles não teriam chegado a R$ 40 bilhões, R$ 50 bilhões", acusa Timerman.
O UOL procurou todos os citados para comentar as acusações de Timerman.
Tanure não quis comentar sobre sua relação com Timerman. A CVM afirmou que "em linha com o princípio da impessoalidade da Administração Pública, não compete à CVM se manifestar sobre casos, perfis ou avaliações individuais de participantes do mercado". O Banco Central e a Gafisa não quiseram comentar.
Em nota na época da operação policial, Tanure declarou que sua relação com o Master era estritamente comercial e que a cobertura foi marcada pela "publicação de inverdades, dando ares de realidade ao que não passa de especulação".
"Não fui nem sou controlador do extinto Banco Master, tampouco seu sócio, ainda que minoritário, direta ou indiretamente, inclusive por meio de opções, instrumentos........
