Na Flip, cuidado com o flop: redes sociais fazem confudir FOMO com fome
Na Flip, cuidado com o flop: redes sociais fazem confudir FOMO com fome
Estou rolando o feed do Instagram. Dormi apenas 4h na noite anterior porque cheguei de madrugada de uma festa na praia em Paraty e desde que me levantei enfrentei horas de estrada para atravessar o estado e voltar para casa. Estou olhando os vídeos nos stories de quem ainda estava na Flip e computando silenciosamente o que estava perdendo. Um pôr do sol, uma tarde na praia, um bar, um drink, uma entrevista coletiva, um cortejo, alguns paineis, uma paisagem bucólica, o reels da festa do Zeca Camargo em que meu irmão aparece dançando ao lado dos pick ups.
Vou ficando agoniada. Eu perdi tudo da Flip?, eu penso, como se não tivesse passado os últimos quatro dias entre as construções de 1700, rebolando (e tropeçando) para fazer tudo que era possível e reportar da melhor maneira o que via lá. Como jornalista, não adianta viver, precisa contar para leitores o que viveu para ter dinheiro para viver outras coisas também.
Gosto da expressão FOMO, sigla em inglês usada para designar o medo de perder algo. O trocadilho não proposital acaba sendo a palavra fome, em português. Como um saco sem fundo, mesmo depois de jantar, nunca estamos satisfeitos. Depois de 96 horas andando pelo calçamento irregular do centro histórico de uma cidade tombada e encontrando amigos e falando de ideias e coordenando equipe e........
