Operações resgatam 30 escravizadas sexuais de bordéis no Norte e Nordeste
Operações resgatam 30 escravizadas sexuais de bordéis no Norte e Nordeste
"Não estou aqui porque eu quero", revela a adolescente Aline (nome fictício) à Repórter Brasil. "Se dependesse de mim, eu já tinha ido embora. Meu plano é voltar para minha casa", diz. Aline está entre as 30 pessoas resgatadas do trabalho análogo ao escravo em sete casas de prostituição nas regiões Norte e Nordeste, no primeiro semestre de 2026. Além dela, outra adolescente vítima de exploração sexual infantil foi identificada durante as fiscalizações, coordenadas pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) do governo federal.
Uma das ações ocorreu em região de avanço da exploração madeireira na Amazônia, marcada pela circulação de caminhoneiros, madeireiros e garimpeiros. As outras, em municípios no interior de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Para preservar a identidade das vítimas, especialmente das adolescentes, a Repórter Brasil omite nomes reais, locais exatos das fiscalizações e detalhes de origem das resgatadas.
Além da Inspeção do Trabalho, as operações em prostíbulos tiveram também a participação do MPT (Ministério Público do Trabalho), da Polícia Federal e outros órgãos.
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Segundo os auditores fiscais, as mulheres e adolescentes eram vítimas de servidão por dívida, trabalho forçado, jornadas exaustivas e condições degradantes, elementos que, de acordo com o artigo 149 do Código Penal Brasileiro, configuram trabalho escravo análogo à escravidão.
Aline disse à reportagem que, antes do resgate, foi vítima de violência sexual familiar e abandono. Ela estava há cerca de cinco meses na casa de prostituição. Após a operação do grupo móvel, força tarefa vinculada ao MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), a adolescente passou a ser acompanhada por órgãos de proteção socioassistencial — a quem, segundo apurou a Repórter Brasil, contou ter deixado a casa onde vivia por não ter recebido proteção após relatar violência sexual cometida por um parente próximo.
Seu atendimento foi feito com base no Fluxo Nacional de Atendimento a Crianças e Adolescentes Vítimas de Exploração Sexual, aprovado em maio deste ano pelo MTE e pela Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil. O protocolo prevê a articulação entre órgãos públicos para acolher a vítima, garantir proteção e evitar que ela seja obrigada a repetir o relato várias vezes, revela a procuradora do Trabalho Camilla Holanda, coordenadora em Rondônia da........
