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Um livro em uma crônica: Ulysses, de James Joyce

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01.08.2026

Um livro em uma crônica: Ulysses, de James Joyce

Começamos com o rechonchudo Buck Mulligan, mas ele pouco nos interessa. Mais relevante é Stephen Dedalus, jovem atormentado, pobre, porque acredita ter matado a própria mãe ao não rezar por ela em seu leito de morte. Seus trajes são de luto, mas ele não se arrepende, recusaria de novo a reza se lhe dessem uma nova chance. O que lhe resta é trocar ofensas com os amigos e sondar os caóticos caminhos da literatura, caminhos que ele quer percorrer sem saber aonde diabos poderá chegar.

Stephen sai para dar sua aula de história na escola local, trocando com seus alunos não ofensas, mas enigmas. A história não lhe é neutra nem anódina, é um pesadelo do qual está tentando acordar. Vai buscar seu salário na sala do velho diretor, trava com ele um papo descompassado, promete-lhe um favor. Depois sai para andar pela praia e vai matutando a mutável materialidade das coisas e a complexidade do ser através das eras. Fecha os olhos por um instante, numa espécie de experimento, abre os olhos e vê que o mundo resistiu à sua momentânea inexistência.

É 16 de junho de 1904, retrocedemos algumas horas nessa manhã solar para ir conhecer o nosso protagonista, Leopold Bloom, que nesse instante está faminto e pensa em rins enquanto alimenta a sua gata. Quer também alimentar a sua mulher, Molly, que ainda ressona na cama que é de ambos, a mulher que o mantém há tantos anos refém de seus encantos, aquela a quem seu pensamento retornará tantas vezes ao longo desse dia longo. A mulher que permanecerá em casa, vivendo nessa mesma cama um encontro carnal com outro homem.

Wálter MaierovitchLulinha não deveria ter........

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