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A cidade invisível que Italo Calvino nunca descreveu

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25.07.2026

A cidade invisível que Italo Calvino nunca descreveu

O viajante que chega à cidade numa tarde ensolarada de inverno não percebe de imediato a diferença. Seus muros não são pilhas de livros, não são páginas de livros as suas paredes, não correm palavras nas águas de seus rios. É certo que a cidade já ostenta aos olhos de tal sujeito uma beleza incomum, que suas casas antigas têm cores gráceis, que suas árvores refulgem ao sol, que o céu é imenso sobre a Serra do Mar ao fundo, mas tudo isso o viajante vê com intermitência porque tem que baixar os olhos para não tropeçar nas pedras desiguais onde pisa. E porque na verdade ainda não se encontra ali a beleza, ou não se encontra ali a única beleza possível, há uma outra beleza secreta que a torna bem mais singular entre as tantas cidades de seu largo país.

O caso é que, durante alguns dias desse inverno solar, a cidade se deixa tomar pelo desejo dos livros, pelo gosto dos livros, pela sanha dos livros, pelo fervor dos livros. Isso se evidencia com maior clareza a um outro sentido além da visão: se o viajante se empenha na audição passa a ouvir conversas infinitas sobre livros, resenhas sobre livros, incertas biografias de autores, análises linguísticas, récitas de versos, confissões de alguma escrita. Poderia sentir estar diante de um povo........

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