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O voto patrocinado e a lição que o esporte aprendeu primeiro

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O voto patrocinado e a lição que o esporte aprendeu primeiro

POR ALEXANDRE VASCONCELLOS

Nas cabines de votação da redemocratização, o Brasil ensaiou, sem saber, a lógica que definiria sua relação com as marcas

Imagine entrar na seção eleitoral e, na fila, dar de cara com o logotipo de uma marca estampado bem à sua frente, perto das urnas. Hoje, isso pareceria absurdo, mas já foi rotina. Entre o fim dos anos 1980 e as eleições de 1998, cabines de votação exibiram publicidade de marcas no Brasil. O Estado precisava de formas de custear uma operação cada vez mais gigantesca e regionalizada. Curiosamente, esse movimento tem um paralelo interessante com o esporte.Acompanhe comigo. A marca mais lembrada daquela época é a Antarctica. Registros fotográficos mostram os dois pinguins em seções eleitorais desde 1989, ano da primeira eleição presidencial direta em quase 30 anos, até 1998. Havia uma ironia no episódio, já que a marca ocupava as cabines justamente nos dias de "lei seca" eleitoral. A empresa alegava que a publicidade remetia ao guaraná, mas a identidade visual era a mesma consagrada no clássico rótulo âmbar da cerveja. E ela não estava sozinha. Bancos como Banerj, Bamerindus e Banco Econômico também estampavam seus nomes nas estruturas eleitorais.Para além da necessidade estatal, é preciso entender o contexto do mercado publicitário à época. Os anos 1980 foram um período de recomeço para a propaganda brasileira. Com as eleições devolvendo protagonismo aos cidadãos, as marcas mais poderosas correram para ocupar os espaços de maior densidade simbólica do país. A necessidade de........

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