Copom dá sinal de que seguirá com cortes nos juros se petróleo normalizar
Copom dá sinal de que seguirá com cortes nos juros se petróleo normalizar??
O preço do petróleo chegou a beliscar US$ 120 por barril e era cotado a US$ 112 por barril, com alta de 4,5% no fim do pregão matinal desta quinta-feira (19). A nova escalada das cotações refletia o alastramento da guerra no Oriente Médio, duas semanas depois de seu início, com ataques a instalações de petróleo e gás no Irã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes.
A disseminação das incertezas no cenário global, depois da decisão do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) de manter os juros de referência entre 3,5% e 3,75%, com apenas um corte ao longo de 2026, fazia com que todas as bolsas do mundo operassem em baixa nos pregões do início da tarde, inclusive no Brasil e com mais intensidade nos mercados asiáticos.
Ao mesmo tempo, o dólar perdia força ante o euro e outras moedas europeias, mas se valorizava no Brasil, cotado a R$ 5,25, com valorização de 0,3% no dia.
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Também no Brasil, as curvas de juros futuros estavam em alta, principalmente nos seus vértices mais longos. Sinal de aumento nos prêmios de risco diante das incertezas geopolíticas e econômicas globais.
Foi neste ambiente de incertezas quanto ao fim do conflito geopolítico e à retomada de alguma relativa normalidade nos mercados globais que o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu ontem iniciar um novo ciclo de cortes na taxa básica de juros (taxa Selic).
Pela primeira vez desde maio de 2024, o colegiado que reúne o presidente e os diretores do Banco Central decretou um corte de 0,25 ponto percentual, trazendo os juros básicos, que se mantinham em 15% ao ano desde junho de 2025, para 14,75%.
Disposto, antes da guerra no Oriente Médio, a reduzir a Selic num ritmo de 0,5 ponto percentual a cada reunião até somar pelo menos três pontos de corte, o Copom não teve outra saída senão "baixar a bola" e decretar um pontapé inicial mais leve do que o antes previsto no jogo de redução dos juros básicos.
O acirramento do conflito armado justifica a cautela, embora os livros-texto de política monetária ensinem que bancos centrais não devem reagir a choques de oferta temporários, a começar pelo fato de que políticas de juros atuam mais diretamente sobre a demanda. Esse, por sinal, foi o ensinamento lembrado, na segunda-feira (16), pelo coreano Hyun Song Shin, economista-chefe do BIS (Banco de Compensações Internacionais, na tradução da sigla em inglês), conhecido como "banco central dos bancos centrais".
Este atual choque do petróleo é um típico choque de oferta, até aqui, temporário. O problema é que não é possível saber quão temporário será. Daí os riscos de que as chamadas repercussões de "segunda ordem" deem as caras sob a forma de surtos de inflação e instabilidades nas cotações do dólar em relação às moedas locais.
Se o Copom não teve outra saída diante do ambiente externo inóspito, o colegiado não deixou, porém, de indicar sua disposição em prosseguir com o ciclo de cortes assim que as pesadas nuvens do momento no horizonte econômico global se dissipem.
Alguns analistas interpretaram que o comunicado deste Copom de março não trouxe indicações sobre o prosseguimento do roteiro de cortes da Selic. Esses analistas se prenderam à reafirmação, no comunicado, de cautela sobre os passos futuros do colegiado, em razão das incertezas sobre "a profundidade e extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos nos preços ao longo do tempo".
Mas essa não parece ser a leitura mais afinada com as mensagens que o Copom buscava transmitir. Sem as menções e ressalvas à guerra no Oriente Médio e aos seus reflexos no fornecimento e nos preços de petróleo, gás e derivados, sobrou, no comunicado, uma sugestão até bem clara de que os cortes devem continuar sendo feitos ao longo do ano.
Reflexo pequeno na inflação
Para começar, as projeções do Copom para a inflação no horizonte relevante — agora o terceiro trimestre de 2027 —, já no contexto dos tumultos nos mercados de petróleo e gás, avançaram quase nada: de 3,2%, de acordo com as estimativas de janeiro, para 3,3% agora em março.
Mais do que isso, no comunicado de março, o Copom suprimiu uma menção clássica de seus textos -- a informação de que "os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que, como usual, [o Copom] não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado".Um sinal eloquente de que a tendência é de continuidade dos cortes, embora nada diga sobre o ritmo das reduções. Há apostas de que o ritmo de redução da Selic será mais lento, terminando 2026 com a taxa basica em 12,5%. Mas também outras, com um acumulado de pelo menos três pontos percentuais de cortes, fechando o ano a 12% ou, para os mais otimistas, em 11,75%.
Além disso, outras afirmações contidas no comunicado reforçam a mensagem de que, se a guerra não atrapalhar, os cortes continuarão. O Copom, explicitamente, mostra-se satisfeito com os resultados da política de juros.
"Condições para ajustes"
Mesmo ressalvando que "o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas e pressões no mercado de trabalho", o Copom reconhece que "os indicadores do final de 2025 mostraram desaceleração da atividade econômica".
Em outro parágrafo, o Copom foi ainda mais enfático em relação aos bons resultados da política de juros restritiva:"O Comitê julgou apropriado dar início ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta" -- comunicado do Copom de março de 2026
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