Eclipse, o Woodstock astronómico
Num dos debates mais curiosos da semana da SIC Notícias, sobre o papel das redes sociais e discursos de ódio nos padrões de beleza, o actor Renato Godinho apresenta muito lucidamente as suas razões para ter saído das redes sociais há dois anos. «As redes sociais são um grande amplificador do mal que existe no mundo. Privacidade e intimidade são conceitos em vias de extinção. E, paradoxalmente, as pessoas têm cada vez menos capacidade para tolerarem a crítica, seja ela válida ou não. E é por não achar que é válida que acho que não devemos jogar este jogo. [Portanto] porque é que encerrei a minha conta de Instagram? Por uma questão de saúde mental».
A dado momento, Renato Godinho justifica a sua decisão inspirando-se no «líder de opinião» deste país, Ricardo Araújo Pereira, que alegadamente também não tem redes sociais, ou não está nas redes sociais da forma tradicional como conhecemos as pessoas nas redes sociais, aliás o mito que existe é de que o RAP está nas redes sociais de forma anónima, e descobri-lo é uma das razões para estamos nas redes sociais. Boa desculpa a nossa.
A NOW apresenta a reportagem sobre a «fortaleza dos milionários», uma das zonas da Comporta-Melides onde está a ser construído pelo empreendimento Costa Terra mais um mega condomínio para os endinheirados e poderosos, descrevendo as dificuldades que é um cidadão comum, ou neste caso, um jornalista devidamente identificado, ter acesso livre a um espaço público onde está a ser criada uma cultura de dissuasão parecida com a que, ao longo das últimas décadas, foi feita para desviar a populaça de Setúbal da península de Tróia. O que mais assusta nesta ‘privatização’ gradual do espaço público, que ainda assim continua a ser ‘público’, ‘só’ temos de passar por um torniquete e nos identificarmos, é a leviandade com que se faz isto à vista desarmada, bem como a cumplicidade laissez-faire laissez-passer das autoridades e instituições, desde a Câmara de Grândola, que acedeu a dar entrevista ao NOW, mas apenas em registo lero-lero, à Ministra do Ambiente, que uns dias depois constatou as mesmas dificuldades de acesso, sem que isso tenha suscitado qualquer indignação ou vontade de fazer valer a força da legalidade sobre este abuso de poder da oligarquia.
Se o episódio sobre o Rei Ghob foi uma estreia prometedora da nova série de verão da SIC, Portugal Criminal, o segundo episódio, centrado no desaparecimento e rapto da jovem Ana Cristina pelo Gangue do Multibanco na Costa da Caparica nos anos 90, foi absolutamente assustador e excepcional. Uma história que, à primeira vista, parecia ter muito menos interesse e sumo que a do Rei Ghob, acabou por revelar-se muito mais aterrorizadora, talvez por ser mais cosmopolita e, por consequência, parecer mais real a uma maior quantidade de pessoas na capital do reino. Mas não foi só isso, é verdade que houve um desenlace bem mais rápido que outros casos, pois o caso foi resolvido rapidamente, mas muito do mérito do produto final tem........
