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A Riqueza! Qual Riqueza?!

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12.03.2026

“Nenhum ‘sistema’ de riqueza sobrevive e resiste sem o apoio e suporte da sociedade, que o inscreveu na sua cultura” (Alvin Toffler), ou seja, é a sociedade, através da sua “cultura” (maneira de viver) que alimenta o “sistema de riqueza”, que invadiu a Europa Ocidental nos anos oitenta. Primeiro, através do “cultivo das coisas” (agricultura), guardando os excedentes, depois através do fabrico das coisas (indústria) e, por último, através do servir, pensar, conhecer e experimentar (serviços). Foi este o percurso das três vagas da riqueza, segundo Alvin Toffler.

Já nos anos 60, Marcuse falava da “sociedade de consumo” e de que o mercado criava essas necessidades para o consumo, através de incentivos e propaganda, “corrompendo” o cidadão-consumidor, que se endividava…! Já vimos aqui, nestes textos, que “a riqueza é apenas uma acumulação de possibilidades”, como disse G. Zaid, significando isso que só a iniciativa e criatividade do homem dinâmico e empreendedor pode vir a gerar crescimento e desenvolvimento que, por acréscimo, poderão trazer “riqueza”. Mas o dinheiro, “de per si”, num cofre de um banco, não tem qualquer utilidade social e constitui, até, um atendado contra a sociedade. Quer isto dizer que não gera nada de útil à sociedade e, por isso, além de não ter qualquer relevo social, deveria ser penalizado com taxas sociais.

A riqueza deve, pois, ser um conceito que tem que evoluir e, através de escolas de pensamento, ser dinamizada uma nova fórmula social que desmistifique esse conceito antigo, velho e gasto, ao qual as pessoas apenas associam um senhor bem vestido, bons automóveis, que não trabalha e apenas gasta.

A classe alta era caracterizada pela ociosidade e pela ostentação. No século XXI, tudo mudou e os ricos empresários são, hoje, os “novos escravos”, ou seja, são eles que procuram e encontram novos mercados, indo à sua origem, são eles que criam as novas sinergias de negócios diversificados, são eles que se deslocalizam, procurando condições mais competitivas para o negócio, já que não há legislação mundial que evite a concorrência desleal através de mão-de-obra barata e impostos diferenciados, são eles, ainda, que arriscam tudo através do desassossego permanente, em viagens sem fim e, ainda, com a privação da vida familiar, cuja gestão fica em risco. São, hoje, os novos heróis, escravos do trabalho e do enorme contributo que dão ao seu País, para que ele possa crescer e desenvolver-se, distribuindo riqueza e criando mais-valias materiais e humanas.


© SOL