Diplomacia dos drones: da Ucrânia à Amazónia
A expressão ‘diplomacia dos drones’ está já bem estabelecida na análise internacional. Tem sido usada para descrever a forma como potências médias, em especial a Turquia, transformaram aeronaves não tripuladas em instrumentos de influência externa: venda de equipamento, treino, manutenção, produção conjunta e aprofundamento de relações militares. A Foreign Affairs descreveu os drones como instrumento emergente de diplomacia; o International Crisis Group analisou a expansão turca como fonte de influência, mas também de riscos de escalada e de dano reputacional.
Portugal pode retirar dessa experiência uma lição própria. Durante a campanha presidencial, António José Seguro visitou a Tekever, nas Caldas da Rainha, e defendeu que o investimento em defesa deve privilegiar inovação e tecnologia com retorno para a economia, a proteção civil, a vigilância da zona económica exclusiva e a prevenção de incêndios. Essa é a ponte que interessa: uma diplomacia dos drones portuguesa não tem de copiar a gramática militar de outras potências médias. Pode afirmar uma versão atlântica, civil e ambiental, usando tecnologia exigente, testada em contextos extremos, para reforçar capacidades soberanas de parceiros estratégicos em missões de proteção de bens públicos.
A Amazónia é o caso mais evidente. Não porque o........
