A ilusão do controlo. O Nobel da Economia é um ‘penso rápido’ para uma teimosia política
A Academia laureou estes académicos por terem construído a ponte matemática entre a micro e a macroeconomia, reconhecendo nas fórmulas uma verdade que o bom senso – que pouco existe hoje nas escolas, nas bancadas das faculdades e nas redações – diria ser inegável: a economia real funciona de "baixo para cima", de quem compra e vende, inova, produz mais-valia e consome.
Só que o objetivo premiado foi fornecer um manual de instruções refinado para que os bancos centrais continuem a tentar gerir o sistema de "cima para baixo", como andam a fazer há mais de um século, criando ciclos de expansão e retração sem fim (dizendo-nos que é inevitável e esquecendo, convenientemente, que foram essas intervenções que criaram a escala e a frequência dos ciclos modernos de 'boom and bust', como apontam tantos economistas).
Dito de outra forma: por um lado, ainda que atribuído a autores neokeynesianos, o prémio valida a já velha, mas pouco aplicada, premissa da Escola Austríaca do pensamento económico de que não se podem ignorar as decisões diárias dos indivíduos face aos incentivos reais; por outro, entrega essa descoberta nas mãos dos planeadores centrais do costume, que insistem em tratar a economia humana como uma........
