Os filhos não pedem para nascer
Os filhos não pedem para nascer. Também não pedem para ver os pais separarem-se e, muito menos, para serem chamados a escolher um deles. E, no entanto, é isso que acontece a demasiadas crianças em Portugal quando a separação deixa de ser um fim e passa a ser uma guerra.
Escrevo sobre isto sem ser especialista. Escrevo como pai, e com o desconforto de quem preferia não ter de o fazer.
Depois de refazer a minha vida, seguiram-se anos de processos e requerimentos em tribunal. Não vou entrar em pormenores. Não por falta de vontade de contar, mas porque os meus filhos um dia vão ler isto, e a mãe deles é, e será sempre, a mãe deles.
No fim de vários anos, o tribunal não alterou nada de substancial. Tudo ficou como estava. O que mudou foi aquilo que nenhuma sentença regista: a tensão antes de cada entrega, as perguntas a que uma criança não devia ter de responder, a sensação de que gostar........
