Descidas de impostos no orçamento dos outros é refresco
Há uma velha tradição na política portuguesa: quando se está na oposição, os impostos são um abuso. Quando se chega ao governo, passam a ser receita. Luís Montenegro conhece bem a transformação.
Em 2022, líder da oposição, dizia que Portugal vivia uma “asfixia fiscal transversal”, com portugueses “inundados de impostos” e empresas “castigadas com impostos”. Defendia simplificação fiscal, redução da carga tributária e, perante a escalada dos preços da energia, era taxativo: “Baixe o IVA da energia, da eletricidade, do gás, dos combustíveis para 6%. Faça-o transitoriamente mas faça-o agora.”
Faça-o agora. Não “quando houver margem”. Não “gradualmente”. Agora.
Hoje, Montenegro é primeiro-ministro. E os impostos continuam a descer: o IRC está nos 19%, com trajetória anunciada para 17%, e o IRS tem sido sucessivamente reduzido. Mas a urgência transformou-se em prudência. O “faça-o agora” deu lugar à responsabilidade orçamental, à........
