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ConsciêncIA

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22.10.2026

Num daqueles fins de tarde fantásticos com que o Porto nos tem brindado este ano, movido por uma notícia que acabara de ouvir, decidi virar-me para o ecrã e perguntar ao Gemini: “Tens consciência?”. Enquanto esperava, dei por mim a achar possível qualquer cenário. Curioso, pensei! A máquina saberá o seu lugar, disse para os meus botões, não tem pretensões existenciais nem ilusões metafísicas. Já quem a constrói, será que pensa da mesma forma? 

Continuei a navegar até ao Vaticano. Chris Olah, cofundador da Anthropic e um dos investigadores mais brilhantes no campo da interpretabilidade de redes neuronais, reuniu-se com o Papa Leão XIV para colocar sobre a mesa uma questão audaciosa: admitir a possibilidade de a inteligência artificial ter, ou vir a ter no futuro, uma forma de consciência. Longe de ser um golpe de relações públicas, o gesto revela que os próprios pioneiros da tecnologia chegaram a uma encruzilhada onde o código e o algoritmo já não chegam para responder à experiência da Vida.

Vejo aqui um sinal admirável de esperança. Durante décadas, o materialismo tecnocrático vendeu-nos a ideia de que o ser humano não passava de um computador biológico sofisticado e que bastaria empilhar capacidade de cálculo para decifrar a existência. Agora, perante “máquinas” capazes de articular frases perfeitas, são os próprios arquitetos do “Vale do Silício” que isto não chega. Ao baterem à porta de Roma, não estão a falar de modelos de linguagem nem da tecnologia que desenvolvem, estão,........

© Sapo