A bolacha Maria e o país terminal
Vai-se a uma escola: bolacha Maria. Vai-se a um lar: bolacha Maria. Vai-se a um hospital: bolacha Maria. Vai-se ao Instituto de Oncologia, onde uma pessoa imagina que a nutrição devia ser quase sagrada, e lá está ela, muito “tradicional”, a fazer-se passar por alimento.
Ela tem nome de avó, ar de catequese e reputação de santinha. Mas basta ler o rótulo para perceber que aquela inocência toda é teatro: farinha refinada, açúcar, gordura vegetal ou óleo refinado, xaropes, emulsificantes, aromas.
Não é comida a sério. É engenharia de prateleira. É um ultraprocessado barato, portátil, seco, inofensivo à vista e miserável no conteúdo.
A bolacha Maria é o símbolo perfeito do nosso país alimentar: uma nação muito velha e muito doente, onde se dá o pior aos mais frágeis e se chama a isso cuidado.
Portugal apresenta um dos perfis demográficos........
