menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A bolacha Maria e o país terminal

16 0
22.04.2026

Vai-se a uma escola: bolacha Maria. Vai-se a um lar: bolacha Maria. Vai-se a um hospital: bolacha Maria. Vai-se ao Instituto de Oncologia, onde uma pessoa imagina que a nutrição devia ser quase sagrada, e lá está ela, muito “tradicional”, a fazer-se passar por alimento.

Ela tem nome de avó, ar de catequese e reputação de santinha. Mas basta ler o rótulo para perceber que aquela inocência toda é teatro: farinha refinada, açúcar, gordura vegetal ou óleo refinado, xaropes, emulsificantes, aromas. 

Não é comida a sério. É engenharia de prateleira. É um ultraprocessado barato, portátil, seco, inofensivo à vista e miserável no conteúdo.

A bolacha Maria é o símbolo perfeito do nosso país alimentar: uma nação  muito velha e muito doente, onde se dá o pior aos mais frágeis e se chama a isso cuidado.

Portugal apresenta um dos perfis demográficos........

© Sapo