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Espanha: pode o caso Maricarmen ser o beijo da vida de Pedro Sánchez?

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Há duas semanas, o despejo  (que veio a ser revertido) de Maricarmen, mulher debilitada, mas social e politicamente combativa, aos 87 anos de idade, da casa onde vivia há 70 anos no central bairro madrileno de El Retiro, mudou a história política de Espanha. O presidente do governo, o socialista Pedro Sánchez, após oito anos a encabeçar uma muito heterogénea maioria parlamentar, parecia então com crédito político esgotado. O assalto de cerca de 80 mil africanos, na sua ampla maioria marroquinos, à fronteira de Ceuta, em 30 de julho, levantou por toda a Espanha um clamor de protesto pela má e tardia gestão da crise pelo governo.

O nacionalismo espanhol encostou Sánchez às cordas. Ele parecia ter perdido a habitual capacidade para resistir. Julgou-se que, cercado por crises, umas atrás das outras, com tudo a romper-se por todos os lados, acossado pela justiça muito metida no combate político, Sánchez, a quem as direitas nacionalistas que o odeiam põem a etiqueta de traidor, pela primeira vez, desistia.

Até que as imagens de Maricarmen a ser levada de casa numa maca, escoltada pela polícia, levantaram por toda a Espanha ondas de revolta. Naquela mesma noite, centenas de jovens e também muitos mais crescidos, iniciaram, um acampamento de luta na centralíssima praça Puerta del Sol, em Madrid. A mesma que há 15 anos também transbordou com uma anterior geração de jovens que em coro gritavam contra o governo do PP: “não nos representam”. Esse movimento pôs fim, nessa altura, ao sistema bipartidário (PP/PSOE) em Espanha, surgiram novos partidos (Podemos, Ciudadanos) e alguns desses ativistas ocupam hoje lugares no Conselho de Ministros. A fraqueza da resposta do PP a essa onda de indignados levou ao aparecimento de um novo........

© Sapo