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Teodoro e a Morte Leitora

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Levava a bengala de madeira rosewood e castão derby na mão direita e o chapéu ligeiramente inclinado para a frente. Lisboa estava cinzenta. Amanhecera cansada e parecia ter envelhecido durante a noite.

A meio da subida entrou numa livraria de livros em segunda mão. Era pequena, comprida e cheirava a papel antigo. Teodoro gostava daquele cheiro. Havia nos livros usados uma espécie de segunda vida que os livros novos, ainda demasiado confiantes, não possuíam.

Percorreu as estantes. Saiu. Subiu mais alguns degraus. Entrou noutra. As livrarias sucediam-se pelas escadinhas acima como pequenas estações de uma peregrinação sem santo. Numa delas encontrou um livro que não procurava. Sentou-se num banco estreito junto à janela e começou a folheá-lo.

Foi então que se lembrou de uma história que guardara na memória. Um episódio especialmente espirituoso — contado por Rosa Montero, em A Louca da Casa — passado com uma escritora argentina, Gabriela Cabal, sobre a possibilidade de a leitura, através da curiosidade, do entretenimento e da distração, afastar a........

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