Ceuta e a Direita
Ceuta é um ponto de inflamação da direita europeia. Entrar em território sob soberania europeia a nadar livremente nas águas do Mediterrâneo é tudo para além de uma ameaça. Para uma Europa diminuída no mundo, acossada nas suas fronteiras, politicamente em profunda polarização, migrantes livres em águas livres são sintoma de invasão. Podem os sociólogos afirmar que não existe “invasão migratória” e utilizar a designação pós-moderna que caracteriza a situação em Ceuta como um “episódio de mobilidade colectiva crítica”. A cidade fechada, a polícia nas ruas desertas de europeus, o exército em uniforme de combate em missão de controlo e contenção dos migrantes, tudo aponta para um flashpoint onde a fragilidade das fronteiras da Europa ainda fora do Continente exibe o retrato de uma geografia em colapso. A resposta de Bruxelas é a voz de uma Europa cercada politicamente, ameaçada culturalmente e foco de uma atracção económica que pode colocar em causa o projecto europeu – A definição do Novo Império dos Migrantes no coração da Europa.
Onde a esquerda vê a solução para o “inverno demográfico” mais a........
