Só nos falam quando é para pedir alguma coisa
Estava eu num supermercado, a escolher um produto alimentar, quando reparei na senhora que, ao meu lado, fazia a reposição no linear. Como fui ensinada, desde sempre, a respeitar e a cumprimentar toda a gente, do porteiro ao CEO, saiu-me, automaticamente, um “boa tarde”. Ela sorriu, devolveu o cumprimento, mas ficou a olhar para mim. Um olhar de espera… um olhar que se interrogava: “E agora? O que é que quer?” Senti-me na obrigação de explicar: “Era só mesmo um ‘boa tarde’.” Ao que ela respondeu, quase em tom de desculpa: “Ah… é que só nos costumam falar quando querem fazer alguma pergunta ou pedido.”
Naquela frase estava tudo: a sociedade, a falta de tempo, o empobrecimento de contacto humano e a importância da transação. Um “boa tarde” deixou de ser um reconhecimento da pessoa para ser, quase sempre, o início de um pedido.
Saí dali com um sentimento de vazio… o vazio de uma sociedade que deixou de ver as pessoas como seres humanos, mas como prestadores de serviços. Senti-me triste e senti que tinha de........
