Lula: o limite entre a civilização e a barbárie
O linguista Émile Benveniste indica que o termo “civilização” surgiu tardia na língua francesa, substituindo “civiliser” e “civilisé” a partir da segunda metade do século XVIII.
Após Franz Boas estabelecer o relativismo cultural, “civilização” passou a significar o reconhecimento da humanidade do outro, contrapondo‑se à noção de barbárie.
Flávio Bolsonaro afirmou que pretende tornar o Brasil um país do “Senhor Jesus Cristo”, postura classificada como expressão de barbárie por críticos que apontam exclusão cultural.
Na posse, Lula recebeu a faixa presidencial acompanhado de representantes de diversos grupos e criou os Ministérios dos Povos Originários e da Igualdade Racial, gestos interpretados como símbolos de civilidade.
O linguista Émile Benveniste explica que a palavra “civilização” teve uma aparição tardia ao mostrar que antes outros termos como civiliser e civilisé imperavam na língua francesa. O autor estuda o processo de formação de tal palavra através do seu relacionamento com o Iluminismo. Com a ideia de progresso em vigor, o sufixo “ação” é incorporado às palavras para exprimir a ideia de movimento e de processo. Assim, aparecem palavras como democratização, institucionalização, organização e outras.[1] O vocábulo civilização, que tem sua aparição em 1757, fazia parte dessa atmosfera linguística pré-revolucionária. Benveniste aponta ainda outro elemento que irá complementar sua tese, assinalando que uma nova concepção de homem e sociedade passa a existir na segunda metade do século XVIII. A passagem da barbárie para um nível superior era vista, neste momento, como uma gradação universal, por meio de um lento processo de educação e refinamento. Desta forma, o termo estático civilité se torna inadequado para exprimir o que se queria dizer. A palavra Civilização passa a ser utilizada para destacar uma ideia de continuidade, movimento e, finalmente, ação.
A partir deste momento, “civilização” torna-se um conceito adotado para designar o “abrandamento dos costumes, educação dos espíritos, desenvolvimento da polidez, cultura das artes e das ciências, crescimento do comércio e da indústria, aquisição das comodidades materiais de luxo”,[2] como assinala Jean Starobinski. Por conseguinte, desencadeou-se uma ideia antitética assimétrica em relação ao conceito de barbárie. No entender de Adauto Novaes, “a simples evocação da palavra civilização remete, necessariamente, a seu outro, que é a barbárie. Pelo menos foi assim ao longo da........
