Hugo Souza faz história e sofre racismo
Goleiro Hugo Souza, em ascensão no Corinthians desde julho de 2024, defendeu 14 pênaltis em competições importantes, incluindo Copa do Brasil e Campeonato Paulista.
Após defender três pênaltis em jogo contra a Portuguesa, Hugo Souza foi alvo de ofensas racistas por um torcedor, com o clube e a lei sendo acionados para punição.
Hugo Souza chegou ao Corinthians após passagem pelo Chaves de Portugal, em um empréstimo de 200 mil euros, suprindo a ausência de Cássio e Carlos Miguel.
Hugo Souza, Pelé, Maradona, Messi, Cristiano Ronaldo… Há algo de comum entre eles. Aproveitem.
É muito bacana quando vemos a história ser construída. Ver o menino Edison se transformar em Pelé, presenciar o surgimento e a destruição (que tristeza!) de Maradona e ficar em dúvida sobre Messi e Cristiano Ronaldo. E agora, sem forçar comparação, testemunhar a ascensão de Hugo Souza em ídolo corintiano.
Antes, uma digressão. Triste digressão. À saida do jogo contra a Portuguesa, quando defendeu três pênaltis, foi ofendifo racialmente por um torcedor. Preto, favelado, sem dente, disse um marginal, com camisa da Portuguesa, que, tenho certeza, é muito menos rico que Hugo Souza.
Que seja punido dentro da Lei! E também pela SAF. Este tipo de torcedor só traz problema. Este tipo de gente só causa nojo.
Este ignorante talvez não saiba escalar um time assim: Orlando, Zé Maria, Djalma Santos, Brandãozinho e Zé Roberto; Badeco, Capitão, Lorico e Basilio, Enéas e Denner. Todos pretos. Todos presentes, com muito destaque, na história da Portuguesa.
Mas, voltemos a Hugo, goleiro dos bons. O que existe em comum entre Estêvão, titular do Chelsea e possivelmente da seleção brasileira e Renê, que busca um lugar no time titular da Portuguesa, que começa a disputar a Série D em um mês? Os dois tiveram pênaltis defendidos por Hugo Souza.
Foram 14, até agora, em campeonatos como Copa do Brasil (semifinal de 2025 contra o Cruzeiro, pegando chutes de Gabigol e Wallace), final do Paulista do ano passado, quando pegou chute de Raphael Veiga, o do Estevão, nos acrescimos e outros.
E não são apenas pênaltis a causa da união afetiva entre atleta e clube.
Ele chegou em julho de 2024, quando ambos, Corinthians e ele estavam em má situação. Depois de 13 anos, Cássio havia descoberto que a cobrança da torcida pode ser forte e pediu para sair. Carlos Miguel, o substituto, estava agradando a Fiel, até resolver jogar em um timeco da Inglaterra. Foi tratado como traidor.
Hugo estava no Chaves de Portugal. Havia sido rebaixado. Um momento muito difícil para quem foi revelado pelo Flamengo e não soube aguentar o rojão da fama. Neneca era Rei da Noite.
Um clube sem goleiro. Um goleiro sem clube. O empréstimo junto ao Flamengo foi uma mixaria, 200 mil euros. Se quisesse ficar com ele, pagaria mais 800 mil. Muito pouco, o Corinthians não tinha, mas se virou. Era preciso.
E os dois estão muito felizes. E milhões de corintianos também. E quem não é clubista, aproveite a doce sansação de ver a história nascer.
