Jardineira
Therezinha, mãe de Pedro e Roberto, destacou‑se na escola, mas na década de 1950 assumiu a gestão do lar com recursos limitados.
Transformava sobras de galinha e itens da “Frigidaire” em refeições como arroz de forno para complementar o salário magro do marido.
Fazia todas as compras, conhecia endereços e horários de preços baixos, negociando descontos como no Café Palheta próximo ao vencimento.
Sua economia refletiu a realidade de muitas mulheres brasileiras que, desde os anos 1950, cuidam da casa priorizando a família em detrimento de si mesmas
7 por 0, ou se preferir, de domingo a domingo. Essa foi a escala de trabalho de Therezinha durante grande parte de sua vida.
Therezinha, minha mãe e de meus dois irmãos, Pedro e Roberto.
Therezinha, casada com Edgar, nosso pai.
Na juventude, conquistou o diploma de Técnica em Contabilidade. Passou com excelentes notas e acreditou que um dia teria salário e independência.
Enganou-se. As contas de sua vida seriam outras.
É difícil para as jovens de hoje imaginar, mas nos anos 1950 e também por muitas e muitas décadas à frente, chegando aos dias de hoje, mulheres cuidavam e cuidam da casa. “Cuidar da casa” significava cuidar de tudo, menos dela mesma.
O primeiro desafio da Therezinha era fazer o salário magro de meu pai dar conta das despesas. Pra isso, tudo tinha que ser (re)aproveitado. E era.
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