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O foco volta para Moraes e a ofensiva segue contra o STF

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13.02.2026

Ministro Dias Toffoli deixa relatoria de caso Master no STF, buscando preservar a instituição em meio a questionamentos.

Ataques ao STF, após condenações por tentativa de golpe, seguem roteiro de desmoralização, agora com foco em Alexandre de Moraes.

Objetivo da ofensiva é fragilizar o STF, que se tornou barreira institucional contra projetos autoritários, e não apenas questionar ministros.

Crise no STF ocorre em meio a investigações e pressões políticas, exigindo transparência e rigor para evitar desmoralização da Corte.

Trata-se de proteger a Corte 

A decisão do ministro Dias Toffoli de deixar a relatoria do caso Master altera o cenário imediato, mas não encerra a crise. 

O gesto retira do centro do processo um magistrado sob pressão e, ao mesmo tempo, revela algo essencial: a disputa em curso ultrapassou a esfera individual e entrou definitivamente no terreno institucional. 

O pedido formal da Polícia Federal para que Toffoli fosse considerado suspeito já havia elevado o episódio a outro patamar. Não se tratava mais de rumor de bastidor ou pressão difusa. Tratava-se de um questionamento institucional concreto. Quando isso ocorre, a credibilidade do tribunal passa a ser parte da equação. 

A mudança de relatoria responde a essa necessidade de preservação institucional. Mas também confirma que a crise não se limitava à permanência de um ministro à frente do caso. 

Toffoli tornou-se politicamente indefensável no centro do processo. O STF, não. 

Ministros da Suprema Corte operam sob padrão de exigência mais alto do que qualquer outro agente público. Não basta a defesa jurídica formal. É necessário que a confiança institucional permaneça intacta. Quando essa confiança é abalada por suspeitas reiteradas e tensões com investigadores, a permanência no epicentro de um caso sensível compromete a percepção de imparcialidade. 

A saída da relatoria, portanto, não é apenas um movimento técnico. É um gesto de contenção institucional. 

O tribunal que julgou o golpe 

A crise ocorre num momento em que o Supremo Tribunal Federal desempenhou papel decisivo na defesa da ordem constitucional brasileira. Foi o tribunal que julgou e condenou o núcleo da tentativa de golpe de 2023 e do plano de assassinato do presidente Lula, do vice-presidente e de ministros da Corte. 

Foi ali que militares de alta patente foram responsabilizados por participação em articulações golpistas. Foi ali que o ex-presidente Jair Bolsonaro, apontado como líder da organização que tentou subverter o resultado eleitoral, foi condenado a 27 anos de prisão. 

Essas decisões não têm precedentes na história republicana. Pela primeira vez, setores da elite política e parte do alto comando militar enfrentaram condenações severas por tentativa de ruptura institucional. 

O STF tornou-se, nesse processo, a principal barreira institucional ao avanço de um projeto autoritário. 

É nesse contexto que a crise atual precisa ser lida. 

A estratégia conhecida 

A reação da extrema direita segue um roteiro já testado:

1-escolhe-se um ministro sob suspeita; 

2-amplifica-se o escândalo; 

3-generaliza-se a desconfiança; 

4-conclui-se que todo o tribunal seria ilegítimo. 

O objetivo não é moralizar o Judiciário. É enfraquecer a instituição que impôs derrotas políticas e jurídicas ao bolsonarismo. 

O caso Toffoli ofereceu oportunidade estratégica para essa ofensiva. Mas a saída da relatoria não encerra a lógica. Apenas desloca o foco. 

Se a campanha de desmoralização continuar após a mudança, ficará evidente que o alvo nunca foi apenas um ministro. O alvo sempre foi o tribunal. 

Alexandre de Moraes volta a ser o foco 

A saída de Toffoli da relatoria não encerrou a ofensiva contra o Supremo. Apenas deslocou o foco. Reportagem publicada nesta quinta-feira, 13, pela jornalista Malu Gaspar, em O Globo, indica que o próximo alvo político da pressão passa a ser de novo o ministro Alexandre de Moraes, responsável pela condução dos processos que resultaram na condenação de militares envolvidos na tentativa de golpe e na prisão de Jair Bolsonaro. 

É preciso deixar algo claro desde o início. Tanto Toffoli quanto Moraes têm o dever de responder, com transparência e firmeza, às críticas e aos gravíssimos erros que vêm sendo apontados em sucessivas reportagens, artigos e comentários. Isso não se discute. Ministros do Supremo não estão acima de questionamentos públicos. Ao contrário: estão submetidos a um nível de escrutínio ainda maior. 

Defender-se, explicar-se e, quando necessário, corrigir procedimentos é obrigação institucional de qualquer integrante da Corte. 

Mas uma coisa é a responsabilização individual. Outra, muito diferente, é a tentativa de transformar questionamentos a ministros em campanha contra a instituição. 

O movimento que se observa agora segue um padrão conhecido. Quando um nome sai do centro da crise, outro assume a posição de alvo. O objetivo não é apenas questionar decisões específicas, mas fragilizar a autoridade dos magistrados que conduziram o julgamento do núcleo golpista. 

É imprescindível proteger a instituição STF 

Moraes coordenou os inquéritos que investigaram a tentativa de ruptura institucional e os ataques às instituições. Foi sob sua condução que se consolidou o conjunto de provas que levou à responsabilização penal de integrantes das Forças Armadas e do ex-presidente apontado como líder da organização. 

Se há críticas a serem respondidas — e há — elas precisam ser enfrentadas diretamente pelos próprios ministros. Mas é igualmente essencial proteger a instituição STF de uma operação política que busca transformar falhas individuais, reais ou alegadas, em argumento para desacreditar o tribunal como um todo. 

A mudança de foco confirma que a disputa não gira em torno de um ministro específico. Ela se dirige ao tribunal que conduziu, até o fim, o processo que resultou na punição dos responsáveis pela tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito. 

Se a pressão se desloca de Toffoli para Moraes, o padrão se torna ainda mais evidente: o alvo imediato pode variar, mas o alvo estrutural permanece o mesmo. 

A convergência de crises 

O episódio se desenrola em meio à crise do Banco Master, que rapidamente extrapolou o campo financeiro e se tornou disputa institucional de alta intensidade. Investigações, decisões judiciais e pressões políticas passaram a se cruzar em torno do caso. 

Durante semanas, o nome de Toffoli esteve simultaneamente no centro de duas tempestades: – a crise bancária; – e a reativação de disputas sobre a memória da Lava Jato. 

Essa convergência produziu um efeito previsível: concentrar pressões em uma figura que integra o tribunal responsável por condenações históricas contra o golpismo. 

Com a saída da relatoria, o ponto de convergência pessoal se desfaz. Mas a convergência institucional permanece. 

Separar pessoa e instituição 

É necessário estabelecer uma distinção clara. 

Criticar a situação de um ministro não significa aderir a campanhas contra o STF. Defender o STF não significa blindar ministros individualmente. 

Democracias maduras conseguem investigar seus próprios juízes sem destruir seus tribunais. Projetos autoritários fazem o contrário: transformam investigações legítimas em arma para desacreditar a instituição. 

A diferença entre esses dois caminhos define o momento político atual. 

Se conduzido com transparência e rigor, o episódio pode fortalecer o STF ao demonstrar capacidade de autocorreção. Se capturado pela guerra política, pode alimentar uma campanha de desmoralização cujo objetivo final não é a ética pública, mas a revanche. 

O que realmente está em jogo 

O problema imediato foi a situação de um ministro. O que está em jogo continua sendo a credibilidade do tribunal que julgou a tentativa de ruptura democrática. 

A saída de Toffoli da relatoria reduz a pressão individual. Mas não elimina a estratégia de transformar crises pontuais em campanha contra a Corte. Se a ofensiva prosseguir, ficará claro que o objetivo nunca foi apenas investigar um magistrado. Era enfraquecer o tribunal que condenou o golpismo. 

A democracia brasileira entrou numa fase em que seus adversários compreenderam algo fundamental: derrotar o STF no voto é difícil. Desmoralizá-lo pode ser mais eficaz. 

Por isso, a crise atual não pode ser lida apenas como episódio individual. Ela é parte de uma disputa mais ampla pela legitimidade das instituições que impediram a ruptura democrática. 

Toffoli deixou a relatoria. O foco migra agora para Alexandre de Moraes. O tribunal permanece. 

E é justamente isso que está em jogo: se o país será capaz de investigar seus próprios juízes com rigor — sem permitir que a investigação se transforme em pretexto para destruir a Corte que condenou o golpismo. 

Um projeto autoritário transforma cada erro em argumento para demolir o sistema inteiro. Uma democracia sólida corrige seus erros. 


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