A classe política brasileira precisa ler Giuliano da Empoli
Giuliano da Empoli, escritor ítalo-suíço radicado em Paris, tornou-se referência para líderes europeus como Macron e Mette Frederiksen ao analisar o rise dos movimentos populistas.
Sua obra "Os Engenheiros do Caos" (2019, Brasil em 2020) dedicou um capítulo inteiro ao Brasil, antecipando e analisando o fenômeno Bolsonaro com base em técnicas já usadas por Salvini e Trump.
O autor argumenta que uma nova geração de líderes não apenas desrespeita, mas reativamente ignora as regras democráticas como estratégia central de poder, transformando a política em arena de predação.
Especialistas apontam que a classe política brasileira insiste em ignorar essas análises, operando com métodos de 2002 sem a profundidade analítica necessária para enfrentar esse novo cenário.
Não é apenas impressão sua. A política verdadeiramente se tornou um ringue de vale-tudo. De fora do ringue, observando os contendores, está um escritor e ensaísta ítalo-suíço que se tornou o manual de sobrevivência (e de autocrítica) para líderes europeus. Enquanto o Brasil observa sua própria arena de predadores, ignorar as lições de Giuliano da Empoli pode ser o luxo que a classe política nacional não pode mais pagar.
Por décadas, a política brasileira se acostumou a um certo tipo de manual. Seja o pragmatismo fisiológico do “toma lá, dá cá”, seja a crença na capacidade das instituições de, no fim, acharem um equilíbrio. Mas e se o tabuleiro tiver virado? E se as regras do jogo não forem apenas desrespeitadas, mas simplesmente ignoradas por uma nova geração de líderes para quem a política não é um serviço público, mas sim uma arena de predação?
Essa é a pergunta que atormenta os corredores do poder em Paris, Copenhague e Bruxelas. E a resposta tem sido buscada nas obras de um homem: Giuliano da Empoli. Enquanto presidentes e primeiros-ministros europeus devoram seus livros e o convidam para compor suas comitivas, uma pergunta incômoda ecoa nos trópicos: por que a classe política brasileira insiste em ignorar o fenômeno que já se tornou leitura obrigatória para quem precisa entender (e sobreviver) ao poder no século XXI?
“Os Engenheiros do Caos” e a lição brasileira
Antes de se consagrar com “O Mago do Kremlin” e “A Hora do Predador”, Giuliano da Empoli escreveu uma obra que deveria ser leitura obrigatória nos diretórios acadêmicos e nos gabinetes de Brasília: “Os Engenheiros do Caos”. Publicado originalmente em 2019, o livro chegou ao Brasil em 2020 e traz uma análise cirúrgica sobre como a política contemporânea foi sequestrada por uma nova geração de........
