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​O Caminho, a Verdade e a Vida

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Um dos discípulos, Tomé, perguntou-Lhe: Senhor, nós não sabemos para onde vais, como poderemos conhecer o caminho? E teve como resposta: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. “Eu sou” bastaria como resposta.

Neste tempo de Páscoa, em que celebramos a Paixão, Morte e Ressurreição, é incontornável não me referir ao meu Mestre, a Cristo. O líder que me ensinou que existe sempre uma outra face, outro caminho, ao invés de reagir. Que me mostrou que compito com a melhor versão de mim mesmo e não com os outros, desmultiplicando os talentos, pondo-os a render entregando-me e procurando superar-me, com confiança, libertando-me dos meus medos, desordens e mentiras. Que Se faz sempre Presente, na luz dos dias ou na escuridão das noites. Foi Quem me mostrou que a ingratidão corrói a felicidade.

Foi com Ele que aprendi que o Amor e a Verdade são critérios inegociáveis na gestão e na liderança, e que a unidade de vida é a fundação onde tudo assenta. Que o exemplo marcante do serviço autêntico é o compromisso mais dignificante para o outro e para mim, sendo o modo de nos fazermos próximos e comprometidos. Que a paz se constrói melhor na humildade do que apenas na negociação.

É Quem, com tudo isto, nos vira a vida do avesso. Oferece a outra face, beija o traidor, lava os pés a quem está ao lado, conforta quem precisa, estando próximo, sê caminho para os outros. Tudo me é mostrado mas, na corrida da vida, não reparo no tanto que me é oferecido. Na pressa da impaciência, pouco alcanço. Na busca das soluções rápidas, não faço caminho. Torna-se mais rápido oferecer algo material e virar o olhar do que oferecer-me a mim mesmo, no tempo, na escuta, no apoio, no compromisso, mesmo que doa.

Num mundo cheio de mártires, este é o Mártir desta semana maior. Sem queixume e em silêncio, entregou-Se, foi traído, abandonado, negado, açoitado, cuspido, maltratado, preso, caiu e foi crucificado. E no final ressuscitou para uma Vida nova, cumprindo-se o que estava escrito. Abriu-se o entendimento e nasceu uma nova Esperança. Não celebramos um herói com dois mil anos, mas Alguém que se faz hoje Presente, à luz da Fé, Deus feito Homem, Deus Filho.

Quando muito pequenino entrava na Igreja, pela mão de uma das minhas tias que que me abriu à Fé dizia-me: Ali está o teu maior Amigo. Eu olhava para a “caixa” que estava na parede ao fundo da Igreja – o sacrário – e não entendia que ali pudesse estar o meu maior Amigo, apesar de ter confiança em quem mo dizia. Não era para entender, era para gravar no coração e para ir entendendo ao longo do Caminho da vida, caminhando, descobrindo, abrindo o coração, deixando-me assombrar, criando relação, vivendo a Verdade, fazendo Vida. Aqui me tens, Senhor, que és o Caminho, a Verdade e a Vida.

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