Usar o dinheiro russo confiscado ou emitir dívida conjunta? A audácia da UE
O Conselho Europeu 18 de dezembro de 2025 aprovou os meios de financiamento da União Europeia à Ucrânia. Esta foi uma decisão importante por várias razões. Primeiro, a UE afastou a hipótese de mobilizar os ativos russos congelados. Segundo, a UE aprovou a emissão conjunta de dívida pública para financiar a Ucrânia. E, terceiro, os líderes dos Estados-membros já terão compreendido que o cenário geopolítico mudou e que a Europa não pode continuar a depender dos humores voláteis do velho aliado liderado por Donald Trump. Proponho-me a analisar em pormenor cada um destes feitos, começando pelo último.
Já não se pode afirmar, como antes, que a posição dos EUA perante a invasão da Ucrânia e a aliança com a Europa é errática. A administração Trump deixou cair a máscara. As mudanças de rumo e as falsas hesitações deram lugar à ambivalência quanto à guerra na Ucrânia (ora os EUA apoiam relutantemente a Ucrânia, ora manifestam proximidade com Putin) e à clarificação da relação com a UE. Os europeus não podem contar com o escudo protetor dos EUA. Trump desvaloriza ostensivamente a aliança com a Europa.
A defesa da integridade territorial europeia não se faz com os meios militares atuais (descontados da capacidade de dissuasão dos EUA). Os europeus devem equacionar um futuro diferente. O futuro passa pela autonomia estratégica, por garantias de defesa que não dependam dos EUA. Ao apoiar a Ucrânia sem........
