Longevidade – Como vai a nossa saúde?
Um dos indicadores de que nos podemos, e devemos, orgulhar é o da longevidade das nossas vidas: Portugal apresenta-se com uma esperança de vida aos 65 anos de 21,3 anos, as mulheres com 22,9 anos e os homens com 19,4 anos, números que nos colocam na dianteira da UE [fonte: Pordata ,2024].
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Somos bem sucedidos na quantidade, embora com um diferencial apreciável entre mulheres e homens, mas o mesmo não acontece em termos de qualidade: vivemos mais anos, mas vivemos menos anos com saúde a partir dos 65 anos, quando nos comparamos com a UE.
Em termos de expectativa de vida saudável aos 65 anos ― viver sem incapacidades e perdas de autonomia ou limitações funcionais de longa duração ―, os números em Portugal são os seguintes: 10,3 anos para os homens e 9,4 anos para as mulheres, o que quer dizer que os homens vivem 47% do tempo e as mulheres 59%, após os 65 anos, com alguma doença incapacitante, mantendo-se a desigualdade de género, neste caso desfavorável às mulheres.
Neste contexto de avaliação de qualidade de vida saudável, um outro indicador interessante é o Self-perceived health, publicado pelo Eurostat, que expressa a avaliação que os cidadãos da UE fazem da sua saúde.
Os cidadãos portugueses tendem a avaliar o seu próprio estado de saúde de forma mais negativa do que a maioria dos europeus: apenas 53,6% da população com 16 ou mais anos avalia o seu estado de saúde como "bom" ou "muito bom", o que contrasta com 68,5% da média da UE, e apenas 44% dos portugueses sentem ter autonomia ou controlo direto sobre a gestão da sua própria saúde, valor este que nos coloca em último lugar, com a média da UE a situar-se em 78% [fonte: Eurostat, 2025].
Já no que respeita à autoperceção de saúde dos cidadãos com 65 ou mais anos, apenas 19,1% considera o seu estado de saúde “bom” ou “muito bom”, o que contrasta com 40% da média da UE (mais do dobro), valor que é o terceiro pior resultado da UE.
Portugal tem vindo a registar progressos, mas persistem fatores estruturais e comportamentais que explicam os gaps da qualidade de vida saudável, com destaque para a adequação e eficácia das políticas públicas, a carga de doenças crónicas, o acesso a cuidados de saúde, o investimento na prevenção, os níveis de rendimento e literacia em saúde e os estilos de vida.
A resposta está na mudança de paradigma no sentido da substituição dos atuais modelos de cuidados........
