Portugal não é mais egoísta. É mais mal desenhado
Os principais estudos globais de generosidade (Gallup, CAF) mostram doações, voluntariado e ajuda a estranhos em queda simultânea. Não é um soluço passageiro, mas uma tendência de fundo.
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O cidadão médio nos países de rendimento elevado doa apenas 0,70% do seu rendimento anual, enquanto nos países de rendimento baixo doa 1,45%, o dobro. E os europeus são, de longe, a região do mundo que menos horas dedica ao voluntariado: uma média de 6,5 horas por ano, contra uma média global de nove. Portugal não escapa a este retrato. O último Inquérito ao Trabalho Voluntário do Instituto Nacional de Estatística situava a taxa de voluntariado formal português em 6,4%, muito abaixo da média na União Europeia, que ronda os 19%.
Porque é que isto é preocupante? Porque o voluntariado e a doação são a infraestrutura invisível que permite a organizações de solidariedade social, associações culturais, misericórdias, bombeiros voluntários, escuteiros e milhares de pequenas estruturas de proximidade fazerem aquilo que nem o Estado nem o mercado conseguem fazer sozinhos. E fazê-lo com eficiência e legitimidade.
Porque é que as pessoas dão? Porque é que deixam de dar?
Acerca deste ponto, vale a pena olhar com atenção para um dos trabalhos mais citados da investigação académica sobre filantropia: a revisão de literatura de René Bekkers e Pamala Wiepking. Os dois investigadores leram e sistematizaram décadas de estudos experimentais e inquéritos, de disciplinas tão distintas como a economia, a psicologia, a sociologia, a biologia e o marketing, para........
