Praxes universitárias ou bullying? Quando a integração começa pela humilhação
Chegar ao ensino superior é, para muitos jovens e suas famílias, um dos grandes momentos de transição da vida. Depois de anos de estudo, de exames, de muitas expetativas, de noites mal dormidas e, para muitos, de uma pressão enorme para alcançar a média que permitirá entrar no curso desejado, chega finalmente a notícia: Entrei!
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Para alguns, é também o resultado de anos em que o estudo ocupou um espaço desproporcionado na vida. Adiaram saídas, encontros com amigos, momentos em família e tantas outras experiências porque havia sempre mais uma matéria para estudar, mais um teste, trabalho ou exame para preparar, mais algumas décimas na média que poderiam fazer a diferença. Por isso, quando chega o momento da entrada na universidade, seria legítimo esperar que começasse uma fase de descoberta, autonomia, pensamento crítico, novas amizades e construção de um projeto de vida. Mas, para alguns estudantes, surge rapidamente uma nova pergunta: “E agora, será que me vou conseguir integrar?” E é aqui que entram as praxes.
Integração ou submissão?
Não escrevo estas linhas para afirmar que todas as praxes são iguais. Existem estudantes e instituições que encontraram formas de acolhimento genuinamente positivas, humanas e integradoras. Há atividades de solidariedade, voluntariado, conhecimento da instituição, iniciativas culturais, momentos de convívio e experiências que permitem aos novos alunos conhecer os colegas e criar redes de apoio. Essas práticas podem ter um enorme valor. O problema começa quando a integração é confundida com submissão. Quando a pertença a um grupo depende da capacidade de obedecer. Quando a diferença é castigada. Quando dizer “não” pode significar ficar de fora. Quando a humilhação é apresentada como brincadeira. E quando a........
