Não é imigração: é memória, história e retorno
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Esta coluna foi escrita sob a inspiração do livro O Arroz de Palma, do escritor Francisco Azevedo — uma obra que tende a tocar fundo quem a lê e que, sobretudo, ecoa com força em quem tem raízes portuguesas. O romance acompanha a trajetória de uma família luso-brasileira que se inicia num casamento em Viana do Castelo e atravessa o Atlântico até o Rio de Janeiro, no ano de 1908. Mais do que uma história particular, o livro traduz, de forma sensível, a experiência de chegada, recomeço e reconstrução vivida por tantos portugueses emigrantes, permitindo que muitos leitores reconheçam ali histórias que poderiam facilmente ser as de suas próprias famílias.
Esse ponto de partida literário ajuda a iluminar um contraste incômodo.
Sempre que o debate público em Portugal se volta para a chamada “imigração”, sobretudo quando envolve brasileiros, um elemento central costuma ser deixado de lado: não estamos falando apenas de imigração, mas de emigração — e, em muitos casos, de retorno histórico. Não há como discutir a presença brasileira em Portugal sem encarar, com honestidade intelectual, o longo e profundo histórico de emigração do povo português, especialmente para o........
