Se uma tenda incomoda muita gente
As imagens da Praça D. João I, no Porto, revelam, por si só, um desnorte completo. De um lado, jovens reunidos pacificamente em torno de umas quantas tendas, a cantar o “Kum ba yah” habitual, manifestando-se por uma causa muito válida e da maior importância. Do outro, uma resposta brutal das forças da ordem: a carga da Polícia de Intervenção da PSP, encarregada de dispersar uns poucos manifestantes à bastonada, para “manter a ordem”, disseram.
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A ordem pública é o pretexto do costume que tem como destinatários os suspeitos do costume. O pretexto? Uma ordem tão simples quanto absurda: dispersar os cem ou duzentos manifestantes porque a partir da meia-noite não se podia fazer barulho e, depois, retirar todas as tendas. Porque “a lei assim o exige” — a polícia avisou. As leis, as pequenas leis, porque nos esquecemos das grandes e essenciais leis, têm sempre de ser cumpridas. E nós, povo habituado a cumprir a lei e a ser bem-comportado, lá assistimos ao resultado de uma actuação desproporcional: 37 manifestantes feridos — dois dos quais com........
