menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Cai neve em Minneapolis

28 1
04.02.2026

Não faz sol no meu país. Tampouco me falta Lisboa (aqui tenho o – carinhosamente apelidado — “Velhinho” e desde o apartamento vejo o “Grande”), embora seja difícil sentir-me feliz.

Renee Good foi assassinada um dia antes de se completarem 22 anos da primeira vez que cheguei a Minneapolis para uma estada de tr^es meses, no âmbito do meu doutoramento. Outras se seguiram, perfazendo o total de um ano a ter Minnesota como estado meu. E o estado em que fiquei ao, em Macau, perceber por intermédio da minha amiga B, que dali é e onde se mantém, foi de inominável choque. Paradoxal choque, por infelizmente não decorrer de surpresa, mas da confirmação do inevitável despudor que caracteriza a acção de regimes que fazem a apologia da supremacia (qual? a sua). O estertor ante a execução de Alex Pretti assume-se como a continuidade do previsível horror.

Nevava em Minneapolis quando ali pela primeira vez cheguei. Ouvir o comandante dizer que em breve aterraríamos no Aeroporto Internacional de Minneapolis–Saint Paul (MSP) – as Twin Cities que têm o rio Mississipi como seu líquido cordão umbilical – gerou perplexidade a quem não via a pista, apenas neve. Branco manto que à noite nada permitia distinguir. O motorista do transfer (o mesmo que coincidentemente encontraria numa outra visita, no mesmo trajecto) percebeu a minha renovada perplexidade ao chegarmos à que seria a minha casa. Entre ela e o carro amontoava-se neve. Ajudou-me a transpô-la e à pesada mala que comprei (que os meus pais compraram, era estudante de doutoramento…) para essa primeira “grande viagem” (e que continuo a usar de cada vez que visito, em trabalho, Macau). “Que bela ideia tive em vir para o Estado dos 10000 lagos em pleno Inverno…” pensei antes de tocar à campainha e ser recebida pelo sorriso de S, a proprietária. Era um sorriso........

© Observador