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A Rota da Seda Digital: a China e o Médio Oriente

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06.03.2026

A narrativa geopolítica tradicional simplifica o tabuleiro: a instabilidade no Médio Oriente interessaria à China e à Rússia para desgastar o Ocidente. Para quem acompanha de perto os setores de telecomunicações, IT e infraestruturas na região, esta tese esbarra numa barreira de biliões de dólares.

A China não quer o caos no Médio Oriente. Em março de 2023, foi precisamente esta lógica — entre outros fatores — que esteve por detrás da reaproximação histórica entre a Arábia Saudita e o Irão, anunciada em Pequim após negociações que já decorriam por canais regionais. A China não criou o processo; posicionou-se para o coroar. Não foi altruísmo diplomático — foi uma demonstração calculada de influência. O Médio Oriente deixou de ser apenas um fornecedor de petróleo para Pequim; tornou-se um dos mercados mais estratégicos para a sua expansão tecnológica e, com o acesso aos mercados ocidentais a estreitar-se, uma das suas principais montras globais.

Enquanto o Ocidente debate alianças militares, empresas como a Huawei e a Alibaba Cloud constroem presença na espinha dorsal digital dos países do Golfo — em redes 5G, serviços de cloud e infraestrutura para smart........

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