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Queríamos ser ofendidos

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27.09.2026

A minha geração atravessou a juventude nos anos 90 pensando que cantar na nossa língua era foleiro. Se quisermos ser picuinhas, podemos até admitir que cantar em qualquer língua é foleiro. O acto de cantar é um exagero: a pessoa não apenas fala, canta. Quem é que o cantor julga que é? Não lhe basta falar? Não, ele tem de cantar. Presunção e água benta, de facto.

Uma googlada preguiçosa explica: “A pessoa canta através da coordenação entre o sistema respiratório, as pregas vocais e as cavidades de ressonância do corpo. O corpo humano funciona essencialmente como um instrumento de sopro”. Qual a diferença entre cantar e falar? O Google volta a servir: “ao cantar a respiração precisa de ser consciente e profunda (abdominal/diafragmática)”. Ui, cantar precisa de mais consciência.

Cantar em português, imaginem. A consciência diafragmática de cantar em português. Começo a entender porque é que a minha geração preferia disfarçar essa consciência diafragmática numa língua estrangeira. Talvez parecesse menos consciencioso, menos diafragmático. Afinal éramos a Geração X e as ondas que queríamos fazer tinham mais a ver com alguma........

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