Depois do casamento, será o pai a próxima “instituição dispe
Há artigos científicos que apresentam novos dados, outros propõem novas interpretações. E há alguns que revelam, de forma particularmente clara, a mudança profunda de paradigma da nossa civilização e a desorientação cada vez mais visível do Ocidente em que vivemos.
É o caso de um artigo recentemente publicado na revista científica Politics and the Life Sciences, da Cambridge University Press, por Mads Larsen, Leif Edward Ottesen Kennair e Maryanne L. Fisher.
Os autores partem de uma realidade que ninguém contesta: o Ocidente enfrenta um inverno demográfico sem precedentes. A fertilidade está muito abaixo do nível de substituição e vários países caminham para um declínio populacional acelerado.
Segundo os autores, existe uma forte correlação entre elevados níveis de igualdade de género e baixas taxas de natalidade. A grande maioria das mulheres continua a desejar ter filhos, mas muitas não encontram um parceiro que considerem suficientemente adequado. E, acrescentam, aumentar significativamente o número de casais estáveis parece hoje pouco viável.
Daqui retiram uma conclusão digna do “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley.
Em vez de procurar reconstruir a família, sugerem que os Estados estudem formas de promover aquilo a que chamam “reprodução individual”: facilitar que mais mulheres tenham filhos sozinhas, através da Procriação Medicamente Assistida, de apoios públicos e de políticas dirigidas à parentalidade individual.
Os próprios autores reconhecem que esta estratégia poderá reduzir ainda mais a “utilidade” de muitos homens no mercado matrimonial, aumentar a exclusão masculina da vida conjugal e da paternidade e agravar problemas psicológicos, sociais e económicos associados a essa marginalização.
Ainda assim, afirmam que a gravidade existencial da crise demográfica poderá justificar medidas tão drásticas.
Mais adiante, sugerem mesmo que futuras tecnologias, como os úteros artificiais, poderão oferecer aos homens uma maior igualdade........
