Vacina Covid-19: o Desnexo de Causalidade
Com a vacinação contra a Covid-19, Portugal assistiu ao maior volume de notificações de reações adversas a medicamentos (RAM) de toda a história da sua farmacovigilância. Este recorde absoluto é corroborado pelos dados das congéneres europeias, americanas e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Perante esta realidade inequívoca, o Infarmed limitou-se a blindar-se com uma verdade conveniente: a de que a notificação de suspeitas “não implica necessariamente uma relação definitiva de causa-efeito”.
Traduzido para linguagem corrente, o que a autoridade do medicamento sugere é que tudo pode ser uma trágica coincidência, um erro de diagnóstico dos profissionais de saúde ou a pura ignorância de doentes que nada sabem de medicina. Ao reduzir milhares de relatos a “meras suspeitas não confirmadas”, as autoridades descartam a responsabilidade e sacodem a culpa das vacinas contra a Covid-19. Ignora-se, deliberadamente, que a subnotificação é um problema crónico e que estudos apontam que apenas cerca de 1% das reações reais chega a ser reportado.
Estabelecer o nexo de causalidade é um ónus que não deve recair sobre as vítimas, pelo contrário, é o Estado que deve assumir esse imperativo científico, médico e humano. Sem ele, o doente fica clinicamente desamparado, sem diagnóstico correto e impedido de provar a sua incapacidade perante juntas médicas ou de........
