As eleições deviam ser adiadas, obviamente
Um sucessivo alinhamento de tempestades – Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo e Marta (a próxima) – colocou Portugal numa situação inédita e excecionalmente grave. Há uma memória difusa do ciclone de 1941. Houve as terríveis cheias de 1967 e os incêndios de Pedrógão em 2017, com consequências dramáticas. Tem havido um agravamento de fenómenos meteorológicos extremos. Os dias por que estamos a passar – pela sua duração e pela larga faixa de território nacional duramente atingido (o centro do país, particularmente os distritos de Leiria, Santarém, Castelo Branco e Coimbra, bem como várias zonas ribeirinhas junto ao Tejo e afluentes, Sado, Mira, Mondego, Douro e Guadiana) – estão a dar-nos uma perceção mais clara da nossa crescente fragilidade perante as catástrofes naturais, que tenderão a aumentar em face das alterações climáticas.
Em 29 de janeiro, o Governo decretou a situação de calamidade em 59 concelhos. Acabou de prolongar esse estado até 15 de fevereiro. Chegámos a ter um milhão de pessoas sem eletricidade, hoje ainda algumas dezenas de milhares. Numa vasta parte da zona centro do país, ocorreram danos significativos em habitações, infraestruturas críticas, equipamentos públicos, empresas, instituições sociais, património natural e cultural, além de perturbações prolongadas no fornecimento de água,........
