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Salários europeus não nascem de velhas leis.

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24.10.2026

A ambição de aproximar os salários portugueses dos praticados nas economias mais desenvolvidas da Europa é, há muito, um dos raros temas capazes de reunir consenso político. Poucos discordam da necessidade de pagar melhor, de reter talento ou de travar a emigração de uma geração altamente qualificada. O consenso termina, porém, quando se discute a questão verdadeiramente decisiva: quais são as condições económicas que permitem pagar salários europeus de forma sustentada?

O debate público tende a tratar os salários como uma variável independente, suscetível de aumentar por vontade política ou por simples alteração legislativa. Esquece-se, demasiadas vezes, que as remunerações refletem, em larga medida, a capacidade de uma economia gerar valor acrescentado. Não existem salários elevados de forma duradoura sem produtividade elevada, investimento contínuo, empresas competitivas e um enquadramento institucional que favoreça o crescimento económico.

Portugal continua distante dessa realidade. Segundo os dados do Eurostat, a produtividade do trabalho permanece abaixo da média da União Europeia, refletindo limitações estruturais que se arrastam há décadas. O tecido empresarial continua excessivamente fragmentado, composto maioritariamente por pequenas empresas com reduzida capacidade de investimento, inovação, internacionalização e ganho de escala. Paralelamente, a elevada carga fiscal sobre o trabalho e sobre as empresas reduz a margem disponível para aumentos salariais, ao mesmo tempo que penaliza o investimento produtivo.

Os números das remunerações ilustram essa distância.........

© Observador