O problema não é cultural. É contabilidade do risco
Nas últimas duas semanas voltei a ouvir a velha dicotomia da nossa cultura: somos muito bons a planear, mas fracos a executar; péssimos na prevenção, excelentes na reação. Costuma-se tratar isto como um traço quase genético do português, uma herança orgânica que explicaria o nosso marasmo crónico. Não é. A explicação é muito mais simples… É uma questão de perceção de custo.
Enquanto o problema não é real, o investimento parece desperdício. Quando o problema acontece, o custo torna-se inevitável, e então agimos sem hesitar.
Prevenir é pagar por algo que ainda não dói. Reagir é pagar por algo que já arde. E o ser humano, individual ou coletivo, prefere sempre adiar o pagamento enquanto consegue fingir que não é necessário.
Não há filosofia milenar por trás disto. Há contabilidade mental.
Nas empresas, o padrão repete-se com rigor........
