menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Ventura, Neves e imigração

10 0
27.02.2026

Os Robots para apanhar mirtilos em Odemira já não ficam numa galáxia lá muito, muito longe, mas podem ser encomendados em várias companhias americanas e chinesas. Podem ser humanoides ou não, mas já se vendem, por exemplo na divisão de automação agrícola da John Deere.

Noutro exemplo, por apenas 150 euros de depósito encomendamos na companhia americana 1X um “mordomo” humanoide chamado Neo. Estamos à espera que nos venha vigiar e limpar a nossa casa aqui na área metropolitana de Boston nos EUA onde vivemos. Quando o Neo chegar pagaremos cerca de 400 euros por mês de subscrição pelo seu trabalho caseiro 24 horas por dia. No entanto – e isso é o mais relevante que entendam aí em Portugal – os engenheiros altamente qualificados que fazem e programam estes robots na 1X e noutras companhias de robótica como a Boston Dynamics, nossos amigos e vizinhos, incluindo luso-americanos e emigrantes portugueses, fazem salários na ordem dos muitos milhares ou dezenas de milhares de euros por mês.

Ou seja, por um lado muito quantidade de mão de obra desqualificada vai ser rapidamente automatizada e será um encargo empobrecedor da sociedade. Por outro lado, a mão de obra qualificada fará uma contribuição enriquecedora dos países que apostarem nela.  Usando o conceito da economia em forma de “K”, os países que apostarem em trabalhadores qualificados vão ser a perna de cima do “K” tendo a economia e PIB per capita a subir.  Já Portugal se sustentar um milhão de imigrantes novos recém-importados repentina e descontroladamente por Costa quando muitos provavelmente ficarem sem nada para fazer ainda novos, será um país da perna de baixo do “K,” com um PIB per capita a descer e cada vez mais miserável.  Portanto, seria preferível apostar no regresso dos emigrantes portugueses qualificados portugueses e na atracão de imigrantes qualificados para passarmos à parte do “K” do PIB per capita sempre a subir. Falamos quer de engenheiros/cientistas que dominem IA e robótica (mesmo que só a manutenção de robots importados) entre outras tecnologias com futuro (drones, biotecnologia, impressão a três dimensões, etc.) quer de profissionais especializados como eletricistas, canalizadores ou mecânicos que saibam instalar e manter infraestruturas (armazéns, oficinas de reparações, centros de dados, etc.).

O atual governo parece-nos um caso perdido para fazerem regressar emigrantes qualificados. São avestruzes com a cabeça enterrada no passado costista de importar massivamente mão de obra desqualificada e não aculturada que até os avisos repetidos de Passos Coelho sobre isso ignoram.  Montenegro entrou oficialmente no pântano socialista ao nomear os mesmos e pelas mesmas razões que Costa nomeava. Luis Neves que chegou a diretor da PJ pela mão de Costa e agora a ministro pela mão de Montenegro (quando era suposto a PJ o investigar imparcialmente) imitou, com 10 anos de atraso, o wokismo britânico. Isto como explicado e comparado por João Miguel Tavares no Público com Keir Starmer, que quando era procurador-geral britânico negava a violência dos gangues de imigrantes.  Neves importou truques feios do wokismo, como Miguel Morgado explicou no torto e direito da SIC:  O ex diretor da PJ, utilizando indevidamente o regulatório da segurança interna assegurou-nos que entre 12000 reclusos só 120 eram estrangeiros (só contou a parcela que convinha à narrativa esquerdista). Isto quando na realidade, segundo Morgado, eram mais de 2000 estrangeiros (minuto 9), Neves garantiu-nos que só 1% dos presos em Portugal eram estrangeiros quando eram quase 20% (17%), um factor de quase 2000% a mais. A minimização ou negação de um problema da população como “perceção” é típica de esquerdistas. Obrigado a Tavares, Morgado e Gonçalves (Observador) por serem as boas exceções que confirmam a má regra. Mais do que ver Neves a engalanar a realidade repugnou-nos um coro de esquerdistas bajuladores, disfarçados de jornalistas da TV, a aplaudirem em vez de questionarem números tão politicamente corretos, mas tão factualmente incorretos. Como filho e neto de Beirão digo a outro Beirão: Ti Neves quando vier a quentura vós não nos digais que estamos engaranhados!

Conversados sobre o atual governo, resta-nos quem num futuro executivo para pôr fim termo a esta descida aos infernos económicos do final da perna baixa do “K”? Certamente que não mais do mesmo socratismo-costismo-montenegrismo com o atual Carneiro do PS embezerrado pelo socrático Santos Silva (que saudades do Carneiro Segurista de há 12 anos!) rodeado do filho do Costa mais a filha do socrático Vieira da Silva e tantos outros que tais. Há podridão de Lisboa no Baião.

Os nossos sociais ou socialistas-democratas estão fora de prazo e da linha do progresso pois agora até a rainha mundial da esquerda globalista anglo-saxónica “woke” Hillary Clinton, veio finalmente admitir que “a imigração massiva foi longe demais”. Ora, Hillary e as suas anteriores teorias cá são veneradas pelos que nos asseguram que problemas de imigração são só “perceção” e “dão lucro à segurança social.” Num sinal de iliteracia financeira grave só calculam os proveitos e despesas atuais, não as despesas futuras se ficarem e trouxerem dependentes como quer a esquerda.

Quem nos resta então para um futuro executivo eficiente e diferente? Cotrim e a sua nova ou antiga Iniciativa Liberal? Carlos Guimarães Pinto e Mariana Leitão? Apesar de ficarmos agradavelmente surpreendidos e entusiasmados com os 16% que Cotrim obteve nas presidenciais, com um discurso otimista e economicamente muito bem pensado, não nos parece, infelizmente, que esse entusiasmo dos qualificados e/ou jovens possa ser partilhado pela maioria da população a curto prazo. A mudança económica assusta os mais idosos ou mesmo adultos em idade ativa resignados ao colo do estado. Estrategicamente Cotrim posicionou-se excelentemente na segunda-volta pois lançou uma inteligente ponte neutra para possíveis alianças à direita, como vice-primeiro ministro. Isso já seria fantástico!

Não é preciso ser génio das “super previsões” como descrito no livro com esse título de Tetlock e Gardner nem consultar a polymarket para saber quer que a robótica vai dominar o mundo (portanto vale a pena investir nela) quer que André Ventura tem uma forte possibilidade de chegar a  primeiro-ministro de Portugal. Isto dado a sua capacidade oratória para falar de problemas sérios para a maioria da população, que outros negam anos a fio até os admitirem tarde demais.

Assim deixamos aqui conselhos estrangeirados a Ventura e aos seus, não solicitados, mas pertinentes, porque este vai ter nas mãos, provavelmente, o destino do país que amamos, Portugal:  A um potencial primeiro-ministro, para ser credível a mais que os 1.7 milhão que já votaram nele, para atrair mais eleitores de direita ou ter mais apoios no centro e direita moderados, não basta falar e desabafar é preciso solucionar. Para psicólogo solidário e compadecido com a nação, mas que nada resolvia já tivemos Marcelo.

Damos algum benefício da dúvida a Ventura que é mais novo e não tem pais nem padrinhos poderosos como Marcelo, pois fez-se à sua própria custa. Ele vem da excelente, humilde e trabalhadora classe média portuguesa que passou do interior para os subúrbios modestos. Não vem do pântano nepotista-televisivo das más famílias políticas do costume e respetivas cunhas na administração publica, negócios misturados com política e imprensa. Não o queremos demonizar como os jornalistas esquerdistas fazem, mas apenas aqui aconselhar para melhorar Portugal.

Ventura parece-nos por enquanto ter um governo sombra fraco tecnicamente, sem ninguém lhe apresentar uma visão verdadeiramente inovadora e até demasiados socialistas nas políticas económicas (incluindo certos patrocinadores que nos cheiram a socialistas do pântano e dos quais Ventura se devia desligar).  Também muitos não nos parecem ter uma boa estratégia ao atacarem como vespas, em vez de conquistarem, potenciais aliados da direita moderada ainda algo desconfiados.

Nesse contexto fomos recentemente veementemente criticados por alguns apoiantes menos informados de Ventura, ao propormos a robótica como alternativa não polémica nem ideológica (logo mais fácil de implementar) à falta de mão de obra em Portugal. Troçaram que eramos sonhadores de avanços tecnológicos impossíveis para o Portugal atual. Não percebem que os robots se vão comprar e usar cada vez mais. O preço vai descer com a massificação de tarefas da agricultura à condução e entregas ao domicílio.  Não vivem nos EUA como nós, logo não vão com frequência a cidades como Los Angeles ou Dallas onde temos apanhado táxis sem condutor da Waymo, e recebido pizzas entregues pelas caixas autónomas com rodas da Serve robotics. Provavelmente também não foram ao Japão ver os robots chineses da Pudu a limparem e trabalharem em restaurantes e lares de idosos.

Para bem de Portugal, Ventura tem, pois, de procurar ser mais bem-aconselhado por um vasto leque de portugueses qualificados, profissionais dos privados não da política, que não sejam nem radicais de direita nem bajuladores dele (para isso já não nos bastaram décadas de jornalistas radicais de esquerda bajuladores dos políticos de esquerda). Por exemplo sobre soluções praticas que funcionem como a alternativa à imigração desqualificada, como a robótica. Só retorica ou propor legislação não funciona. Especialmente contra um problema de imigração descontrolada criado pela gerigonça de extrema-esquerda anárquica globalista aliada ao oportunismo de Costa e passividade do PSD de Marcelo e Rio (e agora de Montenegro). Novas leis contra a imigração ilegal podem ser bonitas no papel, mas não funcionam num país em que a justiça é morosa, ineficaz e ideologicamente teimosa à esquerda tal como em certas chefias da polícia. Como é que que vamos resolver problemas globalistas esquerdistas radicais importados do mundo saxónico, através de nova legislação portuguesa se até parece que na chefia da nossa administração pública há uma corporação de camaradas leitores do Avante? ou dos disparates do Bloco e Livre que só fazem más e apressadas traduções da esquerda saxónica dos miúdos do jornal inglês Guardian? Estão parados no tempo sem diversidade ideológica, pluralidade intelectual, coragem disruptiva ou capacidade de adaptabilidade aos problemas atuais da nação na interpretação da constituição.  Não são democráticos pois não promoveram referendo eleitoral sobre a imigração desqualificada. Não são capazes de resolver problemas específicos pois não equacionam que Portugal, ao contrário dos países saxónicos que mandam escancarar as fronteiras, tem mais de 1 milhão de emigrantes qualificados lá fora em idade ativa, que era preferível que regressassem em vez de importar tantos desqualificados tão repentina e drasticamente.

Quando a constituição portuguesa foi escrita não foi certamente a pensar que um dia os contribuintes portugueses teriam de ser chamados a pagar um SNS/hospital para o mundo inteiro que para cá queira vir, mas não para os seus filhos e netos emigrados, ou a verem os seus brandos costumes e a sua cultura milenar despejada. Isto só porque há uns miúdos quaisquer no reino unido a delirarem que isso é muito bom. Porque são tão incultos e pouco lidos os políticos e jornalistas portugueses de esquerda radicalizada que não sabem dizer aos seus imaturos ídolos ingleses, como o grande poeta luso José Régio dizia: “Não, não vou por ai!”?

Ventura tem conversa que chegue para fintar tais adversários tão fracos de esquerda e chegar a primeiro-ministro. Insistimos que não basta falar; se e quando chegar tem de apresentar soluções funcionais e ter uma visão para um Portugal de futuro.  Tem de se moderar no conteúdo, por exemplo bem acolhendo imigrantes trabalhadores necessários e qualificados não portugueses além de emigrantes lusos qualificados regressados à nova economia. Tem de aliciar para vice-primeiro ministro Cotrim da direita moderada e tentar obter apoios dos eleitores moderados do PSD ou da IL, onde nos incluímos, desconfiados de possíveis excessos corretivos do Chega para se afastar quer do xenofobismo quer do socialismo económico. Também tem de se moderar no formato, aprendendo a ser mais melado como Marco Rubio e menos agressivo do que JD Vance. Dizer o mesmo aos seus apoiantes mais fervorosos: Sejam mais Rubios e menos Vances ao interagir com os outros eleitores do centro e da direita.

Boa sorte a Portugal e ao mundo para um dia encontrar a média dourada aristoteliana centrista entre os excessos passados da esquerda radicalista globalista e os excessos das novas direitas nacionalistas que infelizmente também já se começam a verificar.  É possível que tal média possa acontecer em Portugal entre o Presidente Seguro e estes potenciais primeiro-ministro Ventura e vice-primeiro-ministro Cotrim a fazerem de contrapesos uns dos outros. Seria positivo ver também Passos Coelho regressar, desta vez para liderar reformas em vez de só curar a bancarrota socrática. Pior que o Socratismo-Costismo-Marcelismo-Montenegrismo têm sido estes não serão. Talvez um dia possamos regressar a um Portugal próspero se houver gente e ideias diferentes do pântano de décadas que nos expulsou a nós e mais um milhão de outros emigrantes lusos no século XXI.

Receba um alerta sempre que Pedro Caetano publique um novo artigo.


© Observador