O mal-estar europeu: quando a democracia deixa de prometer
Não é muito difícil perceber que há um mal-estar profundo a atravessar as sociedades europeias ocidentais.
E não, não se explica apenas pela inflação, pela crise da habitação, pela imigração, pelas guerras ou pela instabilidade política. Todos estes fatores contam. Mas a minha hipótese é que estamos perante algo mais profundo, ou seja, estamos a viver uma crise de confiança no futuro e na capacidade das instituições democráticas para o melhorar. E isto é grave.
Durante décadas, as democracias europeias assentaram numa promessa relativamente simples que consistia em trabalhar, estudar e cumprir as regras, o que permitiria construir uma vida melhor e proporcionar aos filhos mais oportunidades do que aquelas que os pais tiveram.
Hoje, essa promessa está a perder credibilidade.
Temos jovens qualificados que não conseguem autonomizar-se, pessoas que trabalham e continuam pobres, classes médias que receiam perder o estatuto conquistado e cidadãos que se perguntam se quem decide ainda conhece a realidade de quem suporta as consequências dessas decisões.
Entretanto, os governos continuam a anunciar crescimento, prosperidade e progresso. Mas os indicadores macroeconómicos não pagam rendas, não garantem mobilidade social e não devolvem, por si só, a confiança no amanhã.
Uma economia pode crescer enquanto a esperança no futuro diminui. E essa contradição tem consequências políticas........
