Ensino e aprendizagem na era da IA
Até 21 de setembro, quando começa a Lisbon AI Week, desafiamos alguns especialistas a escrever sobre os desafios da inteligência artificial. O Observador é media partner da iniciativa, que junta dezenas de eventos abertos ao público.
Quando apareceu a primeira versão do ChatGPT, a minha reação foi provavelmente semelhante à de muitas pessoas: admiração perante uma tecnologia que parecia capaz de fazer coisas que, até então, associávamos exclusivamente à inteligência humana. Mas passada a surpresa inicial, com a experimentação veio alguma desilusão. Trabalho em investigação e no ensino superior e, durante um par de anos, achei que a utilidade da inteligência artificial generativa para o meu trabalho era relativamente limitada. Servia para resumir ou traduzir textos, mas pouco mais. Tentei, por exemplo, usá-la para me ajudar a programar análises estatísticas avançadas ou a rever literatura, mas os erros eram significativos e desisti.
O meu momento “ah-ha” chegou mais tarde, durante este último ano, com versões mais avançadas dos modelos. Voltei a pedir ajuda com programação e, desta vez, a experiência foi completamente diferente. Consegui terminar análises em que estava há muito tempo bloqueada, porque a IA me ajudava a identificar erros no meu código e a corrigi-los facilmente, bem como a executar as análises que os livros não explicavam em detalhe suficiente. Há, contudo, uma ressalva importante. Eu sabia que análises precisava de fazer, conhecia os métodos e conseguia avaliar criticamente os resultados. A IA ajudou-me a ultrapassar uma barreira de execução, embora não substitua o nosso papel na avaliação da solução.
Desde então, a IA tornou-se uma espécie de “estagiário” sempre disponível (estou consciente de que esta disponibilidade permanente vem com custos ambientais e........
