Não fomos feitos para a felicidade
Nunca se falou tanto de felicidade. O “só quero é que sejas feliz” tornou-se o analgésico para encobrir as nossas perplexidades. Não queremos desagradar, ser desmancha-prazeres, mostrar o desacordo: “o que importa é que sejas feliz”. Não desejamos necessariamente o melhor, o bem, o excelente, mas alguma coisa, talvez indefinida: “que sejas feliz”.
Não tem resultado. No relatório mundial da felicidade deste ano, a avaliação que os menores de 25 anos fazem da própria vida caiu. Ou melhor: a maioria dos jovens do mundo está hoje mais feliz do que estava há vinte anos; porém, no Ocidente – nesse paciente cansado de se deitar no divã da psicanálise social – a felicidade recuou. Existem consequências visíveis disso. Só nos Estados Unidos, entre 2008 e 2020, a taxa de suicídio entre jovens dos 12 aos 17 anos aumentou 70%.
Alguma coisa falhou. Convém perguntar o quê. Se agora somos mais livres para escolher o que queremos, se agora, finalmente, nos libertámos, em clima de festa, dos jugos opressores dos antigos absolutismos, porque é que estamos mais infelizes? A minha suspeita é a seguinte: falhou o conceito. Chamamos felicidade a uma coisa que não o é.
Com razões........
