Falemos do Ruído
Esta semana, depois de um clip da série Ruído intitulado “Corpo de Cristo” ter entrado nas redes sociais, a polémica instalou-se. O sketch é, ou não, uma “blasfémia” e uma ridicularização inaceitável da Eucaristia? Imagino que muitos gostassem de um texto inflamado, mas esse não pode ser o contributo do Cristianismo para o debate. Peço desculpa pela desilusão. O trabalho da Igreja é cruzar sensibilidades, recusar reducionismos, ajudar a integrar e procurar sinais, ainda que incompletos – talvez, não existam sinais de outra natureza – do Reino. No fundo, tentar salvar a proposição do próximo. Neste caso, reconhecer, em primeiro lugar, que nunca existe um mau motivo para falar de arte.
Entendo quem se sentiu ofendido, quem achou demais, quem não gostou ou acredita que se tratou de uma rábula de mau gosto. Acho, até, que quem se sentiu assim não o fez por falta de humor ou rigidez. Efetivamente, a Eucaristia não é um gesto social entre outros. Para os católicos, a eucaristia não é apenas uma ideia, uma recordação ou um símbolo, mas Jesus em Pessoa que se entrega, para que nós, sendo muitos, nos tornemos um só pão e um só corpo. Além disso, é inegável que quem não gostou tem todo o direito de se manifestar, reagir e expor a sua opinião. Isso também é uma exigência da........
