menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A propósito do quarto relatório do Grupo VITA

2 8
latest

No passado dia 27 de Janeiro teve lugar, no auditório do Seminário de Nossa Senhora de Fátima, em Alfragide, a apresentação pública do quarto relatório do Grupo VITA.

Estas conferências de imprensa recordam a da Comissão Independente (CI), na Fundação Calouste Gulbenkian, a 13-2-2023. O espectáculo então realizado, com pompa e circunstância, transmitido em directo pelas rádios e televisões, foi absolutamente lamentável. Tratando-se de uma realidade tão penosa, sobretudo para as vítimas de abusos, era de esperar um mínimo de recato, mas, infelizmente, prevaleceu a perversa lógica do sensacionalismo oportunista. Em boa hora, portanto, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) decidiu prescindir dos serviços da CI e recorrer, a 22-5-2023, ao Grupo VITA.

Ao longo de três longos anos, o Grupo VITA realizou a difícil missão de identificar, ouvir e prestar às vítimas o apoio que lhes era devido, em termos de justiça e de caridade cristã. Por este motivo, merece a gratidão da Igreja portuguesa.

Contudo, nas apresentações destes seus relatórios, este grupo não procedeu com a discrição desejável: neste último, a presença de cinco pessoas no palco (?!), quando seria suficiente uma breve nota de imprensa, ou um simples comunicado, parece evidenciar um escusado mediatismo. Tratando-se de uma temática tão dolorosa para as pessoas implicadas, bem como para a instituição eclesial, teria sido preferível uma atitude mais reservada, também por uma questão de deontologia profissional: não é curial que uma entidade, solicitada para auditar uma instituição, divulgue as suas conclusões. Com efeito, se a um laboratório se pede que faça exames clínicos, essa entidade fica obrigada à confidencialidade e, por isso, só pode comunicar os resultados das análises ao próprio, ou a........

© Observador