A Tirania do Mastro: quando o Estado decide quem somos
O veto presidencial à lei que pretendia limitar o hastear de bandeiras ideológicas em edifícios públicos trouxe novamente para o centro do debate uma questão que vai muito além de uma simples disputa simbólica. A pergunta é simples: para que servem os símbolos do Estado?
A insistência em hastear símbolos específicos em edifícios que deveriam representar a neutralidade do Estado não é apenas uma questão de estética ou política. É um sintoma de uma era que, sob o pretexto de celebrar a diversidade, parece empenhada em fragmentar a sociedade em grupos de identidade cada vez mais estreitos e concorrentes.
Quando o Estado se coloca na posição de “olho que tudo vê” e pedagogo da moral, decidindo quais causas merecem o topo do mastro oficial, abandona o seu papel de garante da igualdade universal. O edifício público não é a extensão da sala de estar de um movimento político, é o terreno neutro onde todos, independentemente da orientação, crença ou cor, deveriam sentir-se representados pela mesma bandeira: a da nossa cidadania comum.
A controvérsia em torno desta lei tem sido frequentemente apresentada como um conflito entre inclusão e discriminação. Mas essa formulação falha o essencial. A questão não é se determinada causa merece respeito. Numa sociedade livre, todas as pessoas merecem respeito e proteção igual perante a lei. A........
