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A cátedra do panfleto: a universidade a doutrinar

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22.06.2026

O recente episódio em torno de um enunciado de exame no Instituto Politécnico de Setúbal (IPS)  onde um teste de Direito do Trabalho foi transformado numa narrativa politicamente enviesada de vão de escada, com alusões caricaturais a um alegado “André Venturas”, ao partido fictício “Cheguei Chegando” e a homicídios políticos ficcionados de extrema-direita, não é um mero deslize pedagógico. É o sintoma de uma patologia muito mais profunda que corrói as nossas instituições de ensino superior: a convicção de que a cátedra é um palanque e o aluno um recruta.

O que mais sobressai deste caso não é apenas o mau gosto ou a gritante incompetência técnica de avaliar Direito Civil e Constitucional numa cadeira de Recursos Humanos. É a total sensação de impunidade. O docente que redigiu aquele texto sabia perfeitamente que o documento acabaria nas redes sociais, fê-lo porque sabe que nada lhe acontecerá. A cultura de doutrinação está de tal forma enraizada e normalizada em certas academias que funciona como um autêntico guarda-chuva corporativo. Sentem-se, genuinamente, intocáveis na sua bolha ideológica.

A universidade não existe para formar militantes. Existe para formar cidadãos capazes de pensar por si próprios. E é precisamente por isso que a neutralidade do professor não é uma formalidade burocrática, é uma exigência ética........

© Observador